sábado, abril 19, 2008

sexta-feira, abril 11, 2008

Aníbal Barca

J. M. W. Turner

segunda-feira, abril 07, 2008

«tempo vai tempo vem»*

Numa luta contra o tempo escrevo apago e reescrevo: balanças erlenmeyers, buretas pipetas potenciómetros iogurtes méis espectofotómetros planos de estudo equivalências programas diagramas.
Num sufoco desmedido abafo o sentimento arraso a emoção enalteço a razão e dou por mim sem conseguir dizer não.
Num desânimo concreto escrevo estas palavras sem nexo em modo de desabafo discreto.
Numa fracção de segundo vêm-me à memória a imagem de momentos felizes a história da menina dos dias felizes**.
......
*Histórias de Tempo Vai Tempo Vem de Maria Alberta Menéres, lidas no silêncio da noite.
** Personagem de uma história da minha infância.

sábado, abril 05, 2008

muros

foto tirada da net
muros são silêncios feitos de pedra. Não gosto de muros! as palavras retornam-nos fazendo ricochete atingindo o coração das respostas que não temos. Não gosto de muros...

domingo, março 30, 2008

No mundo do faz de conta

No mundo do faz de conta as flores são feitas de papel e têm um suave cheiro a essências fabricadas em laboratórios acreditados.
No mundo do faz de conta os sentimentos vendem-se em pacotinhos de 250 g os quais têm de brinde uma saqueta de emoções.
No mundo do faz de conta as lágrimas colam-se e descolam-se numa admirável aderência tocando a perfeição.
No mundo do faz de conta as crianças são feitas de materiais suaves ao toque podendo ou não serem descartáveis.
No mundo do faz de conta o amor é uma bola redonda com a qual se pode jogar futebol de salão.
No mundo do faz de conta tudo é bonito, tudo é mutável, tudo é perfeito, tudo está feito à imagem e semelhança das pedras que numa sincronia perfeita e assustadora rolam pelas ruas.
No mundo do faz de conta, por vezes, aparecem pessoas que são usadas como armas de arremesso.

sábado, março 29, 2008

Jovens, bonitos e alegres

De passagem entre o jantar e a ida à discoteca recebi-os em casa. Foi gratificante, sinto-me feliz. Eles sabem coisas que eu não sei e eu sei coisas que eles não sabem, trocámos "saberes".

quarta-feira, março 26, 2008

Camuflagem

O que levará as pessoas a viveram num sistema fechado onde os sentimentos vivem camuflados?
Tanto se escreve sobre sentimentos e emoções, no entanto, ainda não se conseguiu chegar a um consenso. António Damásio encontra-se com Espinosa e diz-nos que «os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou deitar fora». No entanto, nunca como agora os sentimentos tiveram uma natureza tão descartável. Entristece-me constatar esta realidade.
Controlamos a alegria, a tristeza, o medo, o ciúme, controlamos, afinal, o amor com que desejaríamos viver, para nos envolvermos na permanência da mentira e do embuste.
Acreditamos no livre arbítrio? Ou pretendemos «uma liberdade radical, uma redução da dependência em relação aos objectos de que somos escravos»?
Partículas errantes num Universo que desconhecemos, numa busca permanente do eldorado, da felicidade em cada dia adiada.
«... [Espinosa] queria transformar-se num homem livre.»
E voltamos à velha questão da difícil convivência da razão e do afecto, da emoção.
Dúvidas de uma mulher que por vezes pensa.