Quarta-feira, Novembro 18, 2009

o tempo, esse matador de sonhos...

Gosto da diferença do imprevisto do improviso.
Cansam-me as sequências e as séries infinitas (mesmo as de Fourrier).
Encantam-me as transformadas até as de Laplace.
E hoje estou carente de sonhos de palavras de ideias.
Sobra-me a liquidez do dia a dia e a petrificação de conceitos.
Falta-me a transparência da matéria no seu estado gasoso.
Ali aquela estrela a que queimou as asas à borboleta ambiciosa.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

esse est percipi

os olhos agigantam-se na tentativa de vislumbrar o infinito e neles cabem todas as imagens que a nossa mente reflecte. numa infinita regressão. Ah! esta real sensação...


Quinta-feira, Novembro 12, 2009

existência


O ter anula o ser.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

teorema de Weierstrass

"Uma função contínua num intervalo fechado [a,b] , tem um máximo e um mínimo nesse intervalo."

Hoje, ao vê-la estudar Cálculo desencadearam-se lembranças passadas, memórias de um tempo de descoberta e irreverência. Teoremas, corolários...

- A menina por acaso já ouviu falar de Weierstrass?
- Sim, já ouvi falar Sr. Professor, mas pessoalmente não conheço...
Karl Weierstrass

Sábado, Novembro 07, 2009

"Os nós e os Laços*"

"... as palavras, quando despojadas da vida são a hemorragia, o esvaziamento da alma."
*António Alçada Baptista

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

mulherzinhas (em forma de provocação)


No frenesim das arrumações encontrei em casa dos meus pais um livro de Louisa May Alcott com o título deste post "Mulherzinhas". É um livro que me faz recuar, transportando-me ao tempo da minha adolescência e conta a história de uma família, uma mãe cujo marido está na guerra e se vê a braços com a educação das suas filhas, com tudo o que isso implica. É interessante reler livros que de algum modo nos marcaram.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

milonga del angel

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

saudade

«Na verdade, não temos saudades, é a saudade que nos tem, que faz de nós o seu objecto. Imersos nela, tornamo-nos outros. Todo o nosso ser ancorado no presente fica, de súbito, ausente.»

(Mitologia da Saudade)
Eduardo Lourenço


Quarta-feira, Julho 01, 2009

as coisas que se ouvem...

»... para mim as canções com óleo fula derretem-me e fritam-me o coração.»
Rui Zink, hoje, na TSF

Sexta-feira, Junho 19, 2009

noite

sem sono percorro os sites. leio notícias, entrelaço os bytes. pasmo quando encontro os bits.
notícias de importância capital. pasmo.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

This is the life

Quase nove da noite e eu ainda retida entre paredes pouco confortáveis.

Sábado, Junho 13, 2009

que a memória não nos falhe















Sábado, Maio 30, 2009

dia de sol

O verão arrancou em força, ainda que antecipadamente. Convidam-me para banhos na piscina, banhos de sol e desfrute de todos os UVs que se libertam. Recuso. O sol em demasia provoca-me alergias, fico com pele de "sapo", o que me deprime. Aguardo dias em que o sol se eleve um pouco mais nos céus e não me faça sentir que dormi sobre um lençol de urtigas.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

laços... (2)

Domingo, Maio 17, 2009

guitarra...

Sexta-feira, Maio 15, 2009

laços... (1)



"Gus is the Cat at the Theatre Door
His name as I ought to have told you before
Is really Asparagus, but that's such a fuss
To pronounce that we usually call him
Just Gus

His coat's very shabby
He's thin as a rake
And he suffers from palsy that makes his paw shake
Yet he was in his youth quite the smartest of cats
But no longer a terror to mice or to rats
For he isn't the cat that he was in his prime
Though his name was quite famous, he says, in his time
And whenever he joins his friends at their club
(Which takes place at the back of the neighbouring pub)
He loves to regale them if someone else pays
With anecdotes drawn from his palmiest days
For he once was a star of the highest degree
He has acted with Irving, he's acted with Tree
And he likes to relate his success on the halls
Where the gallery once gave him seven catcalls
But his grandest creation as he loves to tell
Was Firefrorefiddle, the Fiend of the Fell

"I have played, in my time, every possible part
And I used to know seventy speeches by heart
I'd extemporize backchat
I knew how to gag
And I knew how to let the cat out of the bag
I knew how to act with my back and my tail
With an hour of rehearsal
I never could fail
I'd a voice that would soften the hardest of hearts
Whether I took the lead or in character parts

I have sat by the bedside of poor little Nell
When the curfew was rung then I swung on the bell
In the pantomime season I never fell flat
And I once understudied Dick Whittington's cat
But my grandest creation
As history will tell
Was Firefrorefiddle, the Fiend of the Fell"

Then if someone will give him a toothful of gin
He will tell how he once played a part in East Lynne
At a Shakespeare performance he once walked on pat
When some actor suggested the need for a cat

"And I say now these kittens
They do not get trained
As we did in the days when Victoria reigned
They never get drilled in a regular troupe
And they think they are smart
Just to jump through a hoop"

And he says as he scratches himself with his claws
"Well, the theatre is certainly not what it was
These modern productions are all very well
But there's nothing to equal from what I hear tell
That moment of mystery when I made history
As Firefrorefiddle, the Fiend of the Fell"

"I once crossed the stage on a telegraph wire
To rescue a child when a house was on fire
And I think that I still can much better than most
Produce blood-curdling noises to bring on the ghost
And I once played Growltiger
Could do it again
Could do it again
Could do it again . . ."

Quarta-feira, Maio 13, 2009

cumplicidades... (2)

Quando o rio é grande torna-se indispensável que as "margens se estreitem", dia a dia vão-se construindo pilares de modo a que as pontes surjam. Sem pressas, porque a obra-prima necessita de rigor e tempo. É gratificante lançar a primeira pedra, é exaltante ver a outra margem cada vez mais próxima, em harmonia, para que a travessia se faça em segurança e com ligeireza.

cumplicidades... (1)

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Peter Brötzmann

Sábado, Maio 02, 2009

beleza

A beleza é meio caminho andado para o sucesso. Só com muito esforço e perseverança o talento consegue ultrapassar a imagem.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

morrem cedo os que os deuses amam

Sábado, Abril 25, 2009

imagens tiradas da net
























Telefonemas a meio da noite, movimentações estranhas e a surpresa da escola fechada. As janelas abriram-se e ele, lá estava, a milhares de kilómetros de distância defendendo princípios em que não acreditava, retalhando a sua fresca inocência com dores que o acompanhariam até ao final da sua não muito longa existência. Tingidas de vermelho as suas vivências, jamais seria o mesmo. A importância de não ser ninguém, apenas um peão que ao ser movido faz com que o jogo se desenvolva, não tendo, no entanto, a capacidade de poder dizer não, de decidir.
Um mundo novo surgiu, mas nada do que o mundo velho continha se volatilazou, antes pelo contrário, cristalizou numa forma que para uns se revestiu de brilho e para outros continuou escuro. Coexistem diamantes com simples pedaços de carbono negro.




Quinta-feira, Abril 09, 2009

Páscoa

"Ressurreição
é ter fé no amanhã
é renovação
é o ciclo natural da vida."

A **Bia** definiu assim a Ressureição

Embora educada na fé Católica, sou hoje uma não crente. Contudo, interrompo esta minha ausência para vir desejar a todos os que me visitam uma Boa Páscoa.

Segunda-feira, Março 30, 2009

pausa

Fur elise


foto tirada daqui

Salão Nobre do IST - música roubada ao sonho...

Sexta-feira, Março 27, 2009

areias...

Segunda-feira, Março 09, 2009

Boudicca - A Rainha Guerreira

foto tirada da net

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009


foto tirada daqui

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

LA CANCIÓN DESESPERADA


Emerge tu recuerdo de la noche en que estoy.
El río anuda al mar su lamento obstinado.
Abandonado como los muelles en el alba.
Es la hora de partir, oh abandonado!
Sobre mi corazón llueven frías corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!
En ti se acumularon las guerras y los vuelos.
De ti alzaron las alas los pájaros del canto.
Todo te lo tragaste, como la lejanía.
Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!
Era la alegre hora del asalto y el beso.
La hora del estupor que ardía como un faro.
Ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!
En la infancia de niebla mi alma alada y herida.
Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Te ceñiste al dolor, te agarraste al deseo.
Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!
Hice retroceder la muralla de sombra,
anduve más allá del deseo y del acto.
Oh carne, carne mía, mujer que amé y perdí,
a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.
Como un vaso albergaste la infinita ternura,
y el infinito olvido te trizó como a un vaso.
Era la negra, negra soledad de las islas,
y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.
Era la sed y el hambre, y tú fuiste la fruta.
Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.
Ah mujer, no sé cómo pudiste contenerme
en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!
Mi deseo de ti fue el más terrible y corto,
el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.
Cementerio de besos, aún hay fuego en tus tumbas,
aún los racimos arden picoteados de pájaros.
Oh la boca mordida, oh los besados miembros,
oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.
Oh la cópula loca de esperanza y esfuerzo
en que nos anudamos y nos desesperamos.
Y la ternura, leve como el agua y la harina.
Y la palabra apenas comenzada en los labios.
Ése fue mi destino y en él viajó mi anhelo,
y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!
Oh sentina de escombros, en ti todo caía,
qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron.
De tumbo en tumbo aún llameaste y cantaste
de pie como un marino en la proa de un barco.
Aún floreciste en cantos, aún rompiste en corrientes.
Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.
Pálido buzo ciego, desventurado hondero,
descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Es la hora de partir, la dura y fría hora
que la noche sujeta a todo horario.
El cinturón ruidoso del mar ciñe la costa.
Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.
Abandonado como los muelles en el alba.
Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.
Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.
Es la hora de partir. Oh abandonado!


Plablo Neruda

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

A razão versus coração

Que coexistência mais conflituosa esta! Aos poucos vou-me dando conta de que a razão, por mais voltas que o coração dê, acaba por acordar de um sono forçado. E quando a razão começa a tomar forma, a ocupar espaço, o coração fraqueja. Que faço eu aqui? Perdida no labirinto onde Minotauro reina?
(...)
Devastada era eu própria como cidade em ruína
Que ninguém reconstruiu
Mas no sol dos meus pátios vazios
A fúria reina intacta
E penetra comigo no interior do mar
Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos
E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor
E o mar de Creta por dentro é todo azul
Oferenda incrível de primordial alegria
Onde o sombrio Minotauro navega
(...)
Porque pertenço à raça daqueles que percorrem o labirinto
Sem jamais perderem o fio de linho da palavra.

Sophia de Mello Breyner Andresen em O Minotauro

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

pos scriptum

foto tirada daqui

Mesmo neste espaço imaginário há laços que se criam construindo estradas.
Ontem este blog fez três anos, para as/os amigas/os que me visitam um infinito obrigada.


Terça-feira, Fevereiro 10, 2009


«O tempo, se pudermos intuir esta identidade é uma desilu­são: bastam para o desintegrar a indiferença e inseparabilidade de um momento do seu aparente ontem e de outro momento do seu aparente hoje.» Jorge Luís Borges em História da Eternidade

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

a espera

foto tirada da net

os olhos vagueiam assustados, o corpo mantêm-se inerte, não se sabe se percebe mas nota-se que ouve. impossível desviar o pensamento deste cenário triste.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Estou frágil

foto tirada da net

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

mulheres diferentes


estou sensível. nomeio todas as mulheres que de algum modo contribuiram para um mundo melhor.


Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Convocatória





Fui convocada para estar presente, em pequenas doses, pela Arábica

Agradeço e compareço.



Ao longo das horas e dos dias, que correm tristes, há sempre alguém que nos faz sorrir. Obrigada!


Quinta-feira, Janeiro 01, 2009

Bom Ano

Imprevistos impediram-me de vir aqui, atempadamente, desejar um Ano Bom.

Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Aedh Wishes For The Clothes Of Heaven

imagem tirada da net
Had I the heavens' embroidered cloths,

Enwrought with golden and silver light,

The blue and the dim and the dark cloths

Of night and light and the half light,

I would spread the cloths under your feet:

But I, being poor, have only my dreams;

I have spread my dreams under your feet;

Tread softly because you tread on my dreams.

William Butler Yeats

Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

areias

imagem tirada da net

sou como as ondas espalho-me por entre as areias soltas de um deserto imaginário.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

O cinzento dos dias

foto tirada da net

Olho pela janela, lá fora o dia apresenta-se em tons cinzentos, indeciso entre a chuva e o sol.
Há dias em que a tristeza me invade, outros em que a alegria me faz correr. No entanto, hoje, num dia pouco cristalino sinto-me amorfa, como se todas as partículas que constituem o meu corpo se tivessem desprendido das ondas que formam a minha essência. De um lado o corpo inerte, sem vontade de fazer seja o que for, do outro lado, a mente, um pouco difusa, um pouco desligada tal como hoje o dia se apresenta.
Percorro todos os cantinhos do meu pensamento e noto que a corrosiva desilusão já quase os atingiu a todos. Aqueles sonhos que nos fazem «pular e avançar como bola colorida nas mãos de uma criança» encontram-se no limiar da razão, o que me faz acreditar que talvez seja altura de desfazer a emoção.
Olho pela janela, uma criança brinca lá em baixo no terraço, ela não sabe, ainda, que o mundo em que vive é constituído essencialmente por «jogos de poder» e que neles o ser é ultrapassado pelo ter.
O amor é um termo que caiu em desuso e serve apenas para conjugar um conjunto de ideias acerca de relacionamentos que conduzem, inevitavelmente, ao ter. Ainda há resistentes, mas são poucos e, na generalidade, são designados por utópicos marginais. Sou uma marginal, semeio flores que não chego a colher por, ingenuamente, deixar que outros, pela calada da noite, o façam antes de mim, mas
não desisto porque existo!

Domingo, Novembro 30, 2008

da noite e da Luz

....
pétalas colhidas em jardim alheio: Zef


Terça-feira, Novembro 25, 2008

vaidades

O "Sr. Futi"
A primeira vez que o vi não tinha este aspecto tão sofisticado, está lindo!

Domingo, Novembro 23, 2008

Lago dos Cisnes

tia... sonhei que era o quinto cisne.


Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Fantasmas


foto tirada da net

Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.

Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.

E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia.

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.

Fernando Pessoa

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

"Les Sylphides"


foto tirada da net

palavras que nascem...

Elegia dos Amantes Lúcidos

Na girândola das árvores (e não há quem as detenha)
Deixa de fora a tarde o vermelho que a tinge.
Se ao menos tu ficasses na pausa que desenha
O contorno lunar da noite que te finge!

Se ao menos eu gelasse uma corda do vento
para encontrar a forma exacta dum violino
Que fosse a sensibilidade deste pensamento
Com que a minha sombra vai pensando o meu destino

E não houvesse o sono dum telhado
Entre ter de haver eu e haver o tecto;
E a eternidade não estivesse ao lado
A colocar-nos nas costas as asas dum insecto

Meu amor, meu amor, teu gesto nasce
Para partir de ti e ser ao longe
A cor duma cidade que nos pasce
Como a ausência de deus pastando um monge

Ah, se uma súbita mão na hora a pique
Tangendo harpas geladas por segredos
Desprendesse uma aragem de repiques
Destes sinos parados pelo medo!

Mas só porque vieste fez-se tarde,
Ou é a vida que nasce já tardia
Como uma estrela que se acende e arde
Porque não cabe na rapidez do dia?

Nem homem nem mulher. Só a moeda antiga:
Uma inflação de deuses que não pode parar
Como um pássaro cego à nora da intriga
Que é a morte no centro connosco a circular.

Será o mesmo tempo que nos cabe?
Talvez sejas a raça prematura
Duma gota de orvalho que se há-de
Negar à minha sede desértica e futura.

Como o brilho dum sol partido ao meio
Damos luz pela nostalgia da metade.
Partes para ser gaivota no meu seio.
Mas não trazes no bico uma cidade.

Aqui pousou um pássaro de lume
Que deixou um voo subterrâneo
Na repetida vibração do gume
Que cada hora traz à lâmina do crânio.

Teus dedos num relógio como a picada duma abelha
A fabricar o mel da estação perdida!
Que quanto a primavera um rouxinol na telha
É toda a melodia que traz na unha a vida.

O navio tem dois extremos ermos:
Os cabelos para Vénus e os pés para Marte.
Mas a viagem é o mar com a terra a ver-nos.
E com lenços à vista ninguém parte.

Ah, se ao menos eu pudesse agora erguer-me
Como uma pedra pelas minhas mãos futuras
E ficasse para sempre a aquecer-me
Ao sol que cega efémeras criaturas!

Se soltasses as aves da rotina
E de um jorro de deuses abrisses a comporta
E reclinada em tua espádua genuína
Eu entrasse num céu sem ter que achar a porta!

Se tu viesses cavaleiro branco
Orvalhado pela manhã do meu instinto.
E ficasses a chamar-me como um canto
No porvir do nosso último recinto!

Se ficássemos espuma de Maio cor-de-rosa
Nas praias donde Maio se retira,
Enrolados nos panos duma paisagem silenciosa
Que fosse a pura sonoridade da ausência duma lira!

Ah, as sementes que te exigem em declive
Entre abismos onde nunca te despenhas
E esfumados voos em que te embebes e revives
O que de ti já pousou no cume das montanhas!

Inútil decifrarmos este oráculo de ave absorta
Na incontinência do voo que a abrasa.
Se houver um palácio sem porta, talvez seja a porta.
Se houver uma casa sem tecto, talvez seja a casa.

Natália Correia, in "Passaporte"

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Saudade

foto tirada da net

"Saudade! gosto amargo de infelizes, delicioso pungir de acerbo espinho, que me estás repassando o íntimo peito com dor que os seios d'alma dilacera" ...

Almeida Garret em Camões

A quinta, Camões e eu...


Post recuperado do meu primeiro blog, de seu nome: Divagando

Sábado, Novembro 08, 2008

sons diferentes

Durme, durme, hermoza donzella

Quinta-feira, Novembro 06, 2008

peões

foto tirada da net

Durante anos um acenar de cabeça, um sorriso nos lábios e a intenção de desejar um bom dia, uma boa noite. Repentinamente as peças mudam e fica o sorriso no ar, perdido, o gesto suspenso, ridículo. O peão desapareceu, inicia-se novo jogo.



Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Memórias da minha infância

(...)– Dom donzel, onde é que está el-rei? – dizia Afonso Domingues ao pajem, caminhando com passos incertos ao longo do vasto aposento.
...
– Senhor rei – disse o cego, erguendo a fronte, que até ali tivera curvada –, vós tendes um ceptro e uma espada; tendes cavaleiros e besteiros; tendes ouro e poder: Portugal é vosso, e tudo quanto ele contém, salvo a liberdade de vossos vassalos: nesta nada mandais. Não!... vos digo eu: não serei quem torne a erguer essa derrocada abóbada! Os vossos conselheiros julgaram-me incapaz disso: agora eles que a alevantem.
...
– Vencestes, senhor rei, vencestes!... A abóbada da casa capitular não ficará por terra. Oh meu Mosteiro da Batalha, sonho querido de quinze anos de vida entregues a cogitações, a mais formosa das tuas imagens será realizada, será duradoura, como a pedra em que vou estampá-la! Senhor rei, as nossas almas entendem-se: as únicas palavras harmoniosas e inteiramente suaves que tenho ouvido há muitos anos, são as que vos saíram da boca: só D. João I compreende Afonso Domingues; porque só ele compreende a valia destas duas palavras formosíssimas, palavras de anjos: pátria e glória.(...)
Alexandre Herculano em Lendas e Narrativas - A Abóbada

Sábado, Novembro 01, 2008

cantares de andarilho

foto tirada da net

"Já fiz recados às bruxas
do caselho à portelada
dei-lhes a minha inocência
elas não me deram nada. "

Domingo, Outubro 26, 2008

I'm alive...

... i'm alive.

Quinta-feira, Outubro 23, 2008

"Antes de Nós"

foto tirada da net


Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.

Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.

Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?

Ricardo Reis

Terça-feira, Outubro 14, 2008

Pausa



Gosto da quietude do meu gabinete quando já todos regressaram aos seus lares. Olho pela janela, vejo os carros apressados e uma ou outra pessoa que ousa deslocar-se a pé.

Ainda tenho pela frente mais três horas de trabalho, aquieto-me neste canto para poder respirar e sentir que por entre "bits" e "bytes" se encontram palavras de alento e amizade.

Amanhã (é sempre amanhã) vou sair um pouco mais cedo, passear à beira mar, sei lá... sentir o pulsar da vida.

Hoje apetece-me sorrir e há tanto tempo que me forço a fazê-lo...
...Ne peut pas nous faire oublier qu'aussi vrai que la terre est ronde...

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Os Nós e os Laços*

"... as palavras, quando despojadas da vida são a hemorragia, o esvaziamento da alma."
*António Alçada Baptista

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Era uma vez um poço...


Quinta-feira, Setembro 18, 2008

ONE ART

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Recordações


imagem tirada aqui

Segunda-feira, Julho 28, 2008

"Ó mar salgado..."


"... quanto do teu sal são lágrimas de Portugal..."

Terça-feira, Julho 08, 2008

Terça-feira, Junho 17, 2008

meu irmão


no silêncio da noite as palavras foram grito. a madrugada permaneceu escura e fria. o dia não raiou. o sol tentou libertar-se das amarras que o aprisionaram.

Terça-feira, Maio 27, 2008

Equação



Conto os meus sonhos com a tábua
de calcular. Cada um deles é uma equação
diferente. Mas o resultado é só um:
a soma dos dias em que acordo.

posted by Nuno Júdice @16:47 aqui

Quarta-feira, Maio 21, 2008

e agora?

*

Por razões que não merecem registo, vi-me intimamente ligada a coisas que relacionam a Química com os Museus. E agora??

Aproveito para deixar o "link" do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa e assim poderem dar uma "coup d’œil" ao Laboratorio Chimico

Segunda-feira, Maio 19, 2008

expressão

Foto de Isadora Duncan tirada daqui

Hoje apetece-me colher palavras, atirá-las ao vento com um simples sopro, deixar que se espalhem pelo ar e sentir o seu rasto de odores refrescantes.
Há tantas palavras bonitas para colher... mas insistimos em transportar braçadas de palavras cruéis, violentas e injustas.

Hoje apetecia-me colher palavras bonitas...

Sábado, Maio 17, 2008

cyber-bullying

Já há algum tempo atrás tinha feito aqui uma referência acerca das ameaças que alguns cibernautas fazem ocultados por um anonimato fictício. Hoje ao ler no Sol a notícia de que alguém foi condenado por cyber-bullying não resisti a voltar a referir o assunto.

Cowards die many times before their deaths; The valiant never taste of death but once. William Shakespeare

Quinta-feira, Maio 08, 2008

tempo

foto daqui
o tempo passa por mim como "cão por vinha vindimada". reuniões, museus, slides, apresentações, exames, equivalências, auditorias e no meio da luta vão surgindo pequenas bolsas de ar. respiro.

Domingo, Abril 27, 2008

mais saudades


(…) Saudades de ti? Não tenho a certeza, serão saudades de ti, ou de mim?
As mãos húmidas da noite, escura, fria e tenebrosa, tentavam desesperadamente atravessar as vidraças que me separavam dela. Ao longe, o rugir das ondas batendo fortemente nas rochas levava-me para um outro mundo, o mundo dos sonhos.
Deixei-me inebriar, deixei que os fantasmas da noite tomassem conta de mim, e para eles, pus música, exaltante, extasiante. Pensei em ti, em tudo o que vivemos, saboreei cada momento e em cada um deles redescobri a minha capacidade de amar, perdida no tempo, adormecida nos anos, que passaram velozes por mim.
Lembro-me que pensei: “vivi estes momentos, ou tudo não passou de um sonho? Sonho lindo com sabor amargo”.
Quando acordei, o sol brilhava, acariciando muito ternamente aquelas águas tão azuis, tão aparentemente inocentes, as águas que na noite anterior tinham embalado o meu sonho, o meu sono. Saí para a rua e fiquei-me a contemplá-las, a pensar em como a quietude anda de mãos dadas com a turbulência, mostrando, ora uma face, ora outra.
Depositei naquelas águas tão tranquilas, tão azuis, tão imensamente grandiosas, a minha esperança. Soube, naquele momento, que nunca mais seria a mesma, que mais um marco tinha sido colocado no caminho da minha parca existência. A vida é feita de pequenos incrementos, cujo somatório nos conduz aquele ponto crucial, que é a morte.
Dizem que na morte surgem, por momentos, todos esses incrementos, separados por marcos, mas ninguém sabe muito bem o que é a morte, para mim, é apenas um somatório, um resultado final, um limite.” (…)

Sexta-feira, Abril 25, 2008

saudade

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pulando daqui para ali cheguei à voz

«Na verdade, não temos saudades, é a saudade que nos tem, que faz de nós o seu objecto. Imersos nela, tornamo-nos outros. Todo o nosso ser ancorado no presente fica, de súbito, ausente.»
(Mitologia da Saudade)
Eduardo Lourenço

Sábado, Abril 19, 2008

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Aníbal Barca

J. M. W. Turner

Segunda-feira, Abril 07, 2008

«tempo vai tempo vem»*

Numa luta contra o tempo escrevo apago e reescrevo: balanças erlenmeyers, buretas pipetas potenciómetros iogurtes méis espectofotómetros planos de estudo equivalências programas diagramas.
Num sufoco desmedido abafo o sentimento arraso a emoção enalteço a razão e dou por mim sem conseguir dizer não.
Num desânimo concreto escrevo estas palavras sem nexo em modo de desabafo discreto.
Numa fracção de segundo vêm-me à memória a imagem de momentos felizes a história da menina dos dias felizes**.
......
*Histórias de Tempo Vai Tempo Vem de Maria Alberta Menéres, lidas no silêncio da noite.
** Personagem de uma história da minha infância.

Sábado, Abril 05, 2008

muros

foto tirada da net
muros são silêncios feitos de pedra. Não gosto de muros! as palavras retornam-nos fazendo ricochete atingindo o coração das respostas que não temos. Não gosto de muros...

Domingo, Março 30, 2008

No mundo do faz de conta

No mundo do faz de conta as flores são feitas de papel e têm um suave cheiro a essências fabricadas em laboratórios acreditados.
No mundo do faz de conta os sentimentos vendem-se em pacotinhos de 250 g os quais têm de brinde uma saqueta de emoções.
No mundo do faz de conta as lágrimas colam-se e descolam-se numa admirável aderência tocando a perfeição.
No mundo do faz de conta as crianças são feitas de materiais suaves ao toque podendo ou não serem descartáveis.
No mundo do faz de conta o amor é uma bola redonda com a qual se pode jogar futebol de salão.
No mundo do faz de conta tudo é bonito, tudo é mutável, tudo é perfeito, tudo está feito à imagem e semelhança das pedras que numa sincronia perfeita e assustadora rolam pelas ruas.
No mundo do faz de conta, por vezes, aparecem pessoas que são usadas como armas de arremesso.

Sábado, Março 29, 2008

Jovens, bonitos e alegres

De passagem entre o jantar e a ida à discoteca recebi-os em casa. Foi gratificante, sinto-me feliz. Eles sabem coisas que eu não sei e eu sei coisas que eles não sabem, trocámos "saberes".

Quarta-feira, Março 26, 2008

Camuflagem

O que levará as pessoas a viveram num sistema fechado onde os sentimentos vivem camuflados?
Tanto se escreve sobre sentimentos e emoções, no entanto, ainda não se conseguiu chegar a um consenso. António Damásio encontra-se com Espinosa e diz-nos que «os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou deitar fora». No entanto, nunca como agora os sentimentos tiveram uma natureza tão descartável. Entristece-me constatar esta realidade.
Controlamos a alegria, a tristeza, o medo, o ciúme, controlamos, afinal, o amor com que desejaríamos viver, para nos envolvermos na permanência da mentira e do embuste.
Acreditamos no livre arbítrio? Ou pretendemos «uma liberdade radical, uma redução da dependência em relação aos objectos de que somos escravos»?
Partículas errantes num Universo que desconhecemos, numa busca permanente do eldorado, da felicidade em cada dia adiada.
«... [Espinosa] queria transformar-se num homem livre.»
E voltamos à velha questão da difícil convivência da razão e do afecto, da emoção.
Dúvidas de uma mulher que por vezes pensa.

Terça-feira, Março 25, 2008

Síndrome de Asperger

foto
Hoje, num dos meus passeios pela blogosfera encontrei um blog onde se falava de autismo. Nada sei sobre o assunto, mas tenho uma amiga muito próxima que descobriu, há pouco tempo atrás, que o seu filho de 25 anos tinha todas as características de Asperger. Percebeu finalmente o que fazia com que ele fosse um pouco diferente dos outros. Admiro-a, contra tudo e contra todos fez do filho um homem independente, recusou sempre o estigma da diferença sem perder de vista o facto de ele ser diferente.

Sexta-feira, Março 21, 2008

os professores e os alunos

"Já quase tudo foi dito, no entanto, não sou capaz de deixar de comentar. Está certo que houve da parte da Professora uma grande falha relativamente à atitude a tomar numa situação de crise, mas também é verdade que situações como esta acontecem mais vezes do que seria desejável, o que faz com que determinados Professores vivam situações de grande stress. A população escolar é muito variável e esta deve ser muito problemática, talvez seja altura de alguém pensar em dar formação específica para enfrentar situações deste tipo. A violência a que estão sujeitos alguns Professores faz deles uma classe profissional considerada de alto risco. Acho condenável que o Expresso tenha divulgado este vídeo. Que venha a avaliação dos Professores e a responsabilização dos Pais."

Ontem publiquei este comentário neste site . Achei que era condenável o Expresso ter publicado o filme na sua página online, hoje já tenho dúvidas, talvez sirva para alertar a população em geral para situações de grande violência que se vive em algumas escolas.
É fundamental que nós, como pais e encarregados de educação, cumpramos as nossas funções para que os outros possam cumprir as deles.

blogs

Hoje andei a ler blogs. Como gostaria de ter a capacidade e a imaginação de criar um espaço que não se tornasse rapidamente numa grande monotonia. Há blogs narrativos. Há blogs informativos, outros deformativos e outros criativos. Há blogs bonitos, outros agressivos e outros do além. Mas quase todos nos transmitem a grande necessidade que o ser humano tem de comunicar. A escrita neste espaço quase tão infinito como o ponto onde duas rectas pararelas se encontram acaba por tornar possível a interacção entre os deuses e os simples mortais. É claro que há deuses que jamais descerão dos seus tronos, mas saber que estão à distância de um clic faz-me sentir bem.

Quarta-feira, Março 19, 2008

última hora

sol

Já não há bilhetes, mas que desilusão a minha! Gosto de Jazz, gosto de ir ao Hot Clube e pensei que por ser véspera de feriados iria conseguir bilhete (S. Jorge) com facilidade. Enganei-me! Vi-os há uns anos na Gulbenkian, Encontros Acarte.

Segunda-feira, Março 17, 2008

o espaço e o tempo



"Os estados de consciência de um indivíduo aparecem-nos dispostos numa série de acontecimentos na qual cada estado particular acessível à nossa memória parece estar disposto segundo o critério irredutível de antes e de depois" Albert Einstein

Sábado, Março 15, 2008

Le Chatelier

(...) saudade gosto amargo de infelizes delicioso pungir de acerbo espinho (...) Almeida Garrett

Desde que o meu irmão morreu que quase deixei de escrever neste espaço. Quando nos abalam os alicerces demoramos algum tempo a restabelecer o equilíbrio.
.....
Pelo princípio de Le Chatelier "quando um sistema em equilíbrio é perturbado, a alteração que nele se opera é de molde a reduzir o efeito imediato daquela perturbação."
......
Nestas alturas de grande perturbação e profundo desequilíbrio poucos são os que conseguem manter-se como pilares adjacentes, para esses vai a minha eterna gratidão.
Expor as nossas fragilidades não cai bem numa sociedade onde temos que ser fortes, belos e saudáveis. Estou cansada de ser forte.

Hot clube - 60 anos

Expresso

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

...

Ando assim, como um «mar morto», mas hoje venho aqui para «tocar» num assunto que ainda hoje me arrepia. Sem juízos de valor, apenas para que não caia no esquecimento.
O Correio da Manhã relata um atropelamento ocorrido há três anos atrás.

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

a queda do império


Sobre a areia amontoam-se formas difusas do que outrora foram castelos, sobram sonhos e faltam vontades.
Quando todos os pontos, todas as vírgulas e todos os espaços tomam a dimensão do Universo.. é a hora de partir... «Ó abandonado!».
As cinzas do que outrora foram desejos espalhar-se-ão sobre as águas de um mar envergonhado por não ter tido a coragem de as recusar.
Parto!

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

El Amor Comienza

El Amor Comienza (Axel Fernando)

Cuando el sol nos da en la cara
Aunque afuera está lloviendo
Cuando tiemblan como hojas
Nuestra piel y nuestro aliento
El amor comienza

Cuando el gris se vuelve rosa
Y una imagen pensamiento
Cuando asoman las cosquillas
Como auroras de aire y fuego
El amor comienza

Cuando pasan cosas raras que antes nunca nos pasaron
Derramándose en el alma como flores de verano
Y parece una novela hasta el tiempo de trabajo
Y es la música del cielo un teléfono llamando
Cuando pasan por tus ojos bellos rostros bellos cuerpos
Y tú no te das ni cuenta hasta que los tienes lejos
Y se busca algún amigo para hablarle de todo eso
Y se duerme a sobresaltos y se sueña con un beso
El amor comienza, el amor comienza

Cuando oímos las campanas
Que los otros no escucharon
Cuando alcanza a preocuparnos
La presencia y el horario
El amor comienza

Cuando el ir se vuelve prisa
Y el volver una condena
Cuando duelen las demoras
Y se muerden las esperas
El amor comienza

Cuando pasan cosas raras que antes nunca nos pasaron
Derramándose en el alma como flores de verano
Y parece una novela hasta el tiempo de trabajo
Y es la música del cielo un teléfono llamando
Cuando pasan por tus ojos bellos rostros bellos cuerpos
Y tú no te das ni cuenta hasta que los tienes lejos
Y se busca algún amigo para hablarle de todo eso
Y se duerme a sobresaltos y se sueña con un beso
El amor comienza, este amor comienza

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

2008

Terminaram os festejos, arrumaram-se as alegrias. Já não há muita paciência para os excessos das festividades inerentes à época, mas, como formiga no carreiro, lá fui fazer o percurso 2007/2008.
Um convite amável de amigos generosos, permitiu-me uma ceia requintada, a visão de um fogo de artíficio exemplar, seguido de uma noite saltitante onde o barulho não me permitiu pensar. Não faltaram as mensagens e telefonemas de última hora, de modo a que não me esqueça dos que ainda sobrevivem neste mundo cada vez mais agressivo.
Apesar do coração derramado (como Ela diz), o balanço foi positivo, entrei no ano 2008.
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Aos que têm a paciência de visitar esta minha alegre casinha, tão modesta quanto eu, desejo um 2008 com muita luz e amor.




Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

vento

e tudo o vento levou. as palavras, os sentimentos, a vontade, principalmente a vontade. deixou este vazio, este mar morto, este ser sem querer, máquina executiva. maldito vento "estio". há-de lá estar mal...
amanhã porei músi...

Quarta-feira, Novembro 07, 2007

Caravelas

Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este Mar Morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!

Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...

Florbela Espanca

(amanhã, quando eu tiver tempo, ponho música no ar)

Terça-feira, Novembro 06, 2007

"A Soma dos Dias"

Pois é, o livro citado no post anterior era "A Soma dos Dias" da Isabel Allende.
Gosto de escritores sul americanos, gosto especialmente de Isabel Allende e Garcia Marquez. Gosto muito de Jorge Luiz Borges e Pablo Neruda.
A narração desta história inicia-se com a frase "NÃO FALTA DRAMA À MINHA VIDA".
Poderia, se para isso tivesse talento, iniciar assim "a soma dos dias" que constituem a minha vida. Felizmente não o tenho.

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

a 5ª linha da página 161

Na minha passagem por vários blogs, encontrei o desafio citado no título do post. Eu não gosto de cadeias, mas esta achei-a interessante.
Sendo assim, aqui deixo a 5ª linha da página 161 do livro cuja leitura iniciei no fim de semana.

... para Afrodite fez-nos às duas ter sonhos eróticos. « Aos setenta e tal...

Deixo outro desafio... de que livro se trata?

Domingo, Novembro 04, 2007

no labirinto do minotauro...

... procurando os fios de Ariana.

Domingo, Outubro 28, 2007

O pão nosso de cada dia nos dai hoje


- Correr sorridente através de uma planície verde salpicada de papoilas vermelhas.
- Ouvir o som dos rios que correm para o mar, advinhar-lhe os segredos e dormir tranquila sobre as águas azuis penetradas pelos reflexos de um sol na hora da partida.
- Ouvir os sons da felicidade ainda que apenas por alguns instantes.
- Saber que o meu pensamento se cruza e descruza algures no Universo como se de uma dança de fitas se tratasse.
- Saber que há uma continuidade inexplicável na existência dos sentimentos.
- Querer, saber que sou capaz de querer.
- Ter, ainda que por momentos.
- Sorrir como uma tola, sorrir por tudo e por nada.
- Dar, dar o que tenho e o que invento.
- Elevar-me no céu da felicidade.
- Ser Eu e apenas Eu.

Terça-feira, Outubro 23, 2007

Quando o chão nos foge debaixo dos pés...

Sábado, Outubro 13, 2007

O Impressionismo puro


imagem tirada da net

Domingo, Outubro 07, 2007

o teu sorriso voa como uma borboleta


(...)A minha luta é dura e regresso

com os olhos cansados

às vezes por ver

que a terra não muda,

mas ao entrar teu riso

sobe ao céu a procurar-me

e abre-me todas

as portas da vida.(...)

Pablo Neruda, Os Versos do Capitão

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

diferenças

fotos tiradas da net

Terça-feira, Setembro 25, 2007

(...) Tú eras también una pequeña hoja que temblaba en mi pecho. El viento de la vida allí te puso. En un principio no te vi: no supe que ibas andando conmigo, hasta que tus raíces horadaron mi pecho, se unieron a los hilos de mi sangre, hablaron por mi boca, florecieron conmigo. (...)

Pablo Neruda

Domingo, Setembro 23, 2007

o despertar...


A máquina...



O Homem...
........................................................................................................
O filme...

Domingo, Setembro 02, 2007

copy/paste

Micrografia obtida por mim em 2000 (SEM)
Mesmo as coisas aparentemente simples são complexas se analisadas um pouco mais cuidadosamente.

Domingo, Agosto 26, 2007

o correr dos dias


Domingo, Agosto 19, 2007

a erosão dos dias

Os dias passam em sucessão contínua desgastando-se sob a acção das tristezas que nos consomem. Há dias plenos, em que as nossas medidas, desobedecendo às leis da gravidade, levitam. No entanto ou porque a pressão aumenta, ou porque a temperatura excede a escala, surgem os dias vazios. O vácuo é a ausência de matéria, sinto-me imaterial, pertencente a um buraco ocluso no centro do Universo.

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

registos


para além das palavras...

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

ó mar salgado...

reflexos...

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

recortes

O entardecer é para mim um dos momentos mágicos do dia, sinto-me invadir por uma grande paz e a luz parece penetrar-me a alma deixando nela as cores e o som das tarefas já cumpridas, convidando-me ao descanso, à leitura, ao amor.

Sexta-feira, Julho 27, 2007

The mystic's dream

Domingo, Julho 08, 2007

As (in)certezas

Por definição e segundo o Vocabulário Internacional de Metrologia, incerteza é: «um parâmetro associado ao resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão dos valores que podem com razoabilidade ser atribuídos ao mensurando».
Analisando o mensurando em questão, os meus sentimentos, noto que a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a dispersão dos valores obtidos é cada vez menor. Quero com isto dizer que o resultado está cada vez mais próximo do verdadeiro valor.
Este facto dá-me uma certa tranquilidade e consequentemente uma maior certeza no que quero, no que não quero e, fundamentalmente, aquilo porque me disponho a lutar de modo a assegurar a minha integridade como pessoa que vive num mundo onde tudo, ou quase, aparenta ser o que não é, onde a dispersão dos valores medidos é de tal ordem que acabamos a duvidar se efectivamente as medidas foram feitas com equipamento de alta resolução ou, simplesmente com uma balança de dois pratos cujos «pesos» eram feitos de materiais mais ou menos degradáveis.
Continuo na busca do mais baixo valor de incerteza, para assim poder ter uma maior certeza. Eu sei, é uma busca inútil, pois há sempre grandezas de influência que acabam por arrasar os resultados, diminuindo as certezas, aumentando a variabilidade das incertezas.
Até me apetece dizer: «só sei que nada sei»
..........
Nota: será que alguém me pode explicar porque já não consigo preencher o campo que diz respeito ao título do "post"?

Quinta-feira, Julho 05, 2007

apenas sons

Pensamentos que se soltam como fragmentos de pele já sem vida, fazem de nós robots que se movem ao som do silêncio que ecoa dentro da alma que por momentos fica suspensa de uma palavra. Palavras... umas vezes soam-nos como cânticos celestiais, outras como punhais.
Gosto do som dos lobos uivando, parecem-me sempre gritos de dor e solidão, como se se tivessem perdido da matilha. Tantas feridas... umas que cicatrizam, outras que (re)abrem quando o alarme se faz ouvir, é nesses momentos que fico assim, como pássaro perdido num céu que não conhece.
Abrem-se lacunas, ficam oclusas partículas de dor na minha alma já sofrida, em cada dia que passa os meus limites se restringem, como se o Universo deixasse de ser infinito, como se em cada estrela houvesse uma abafador.
Chamem por mim, façam-me viver, digam-me que eu não quero partir...

«Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
»

Álvaro de Campos

Sábado, Junho 30, 2007

meu irmão

(...)Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Adeus

Canção com lágrimas
......
Eu canto para ti o mês das giestas
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
Manuel Alegre

Sexta-feira, Junho 08, 2007

foto tirada pelo meu amigo Zé Carlos Era um tempo em que o tempo, ainda menino, brincava. Sobre as ondas, a luz branca desdobrava-se nas sete cores do arco-íris, reflectindo toda a grandiosidade de uma vida a despertar.
«Ai se eu tivesse dinheiro... comprava-te uma andorinha, um porquinho mealheiro e uma rosa de cheiro p'ra te cheirar à tardinha...»

Terça-feira, Maio 22, 2007

definição


AMIGO *

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

"Amigo" é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

"Amigo" (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!
"Amigo" é o erro corrigido
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada!

"Amigo" é a solidão derrotada!
"Amigo" é uma grande tarefa,
É um trabalho sem fim,
Um espaço sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

*Dedicado aos amigos que me ajudaram, mesmo sem terem conhecimento dos factos, a ultrapassar os momentos de angústia e ansiedade que vivi.

«Amigo é a solidão derrotada!

Amigo var ser, é já uma grande festa!»

Quinta-feira, Maio 17, 2007

cyber-bullying


A impunidade, por enquanto... a ler no sol

Quarta-feira, Maio 16, 2007

marcas

foto gentilmente cedida (vulgo, roubada) pelo meu amigo vern

Marcas deixadas na areia ainda molhada pela ternura das ondas que impetuosamente espalharam a força do seu querer. Rasto de passos deixados ao acaso chamando a si o silêncio do entardecer esperando a bruma da manhã que inevitavelmente surgirá. Ondas prateadas pela luz de mais um dia que nasce.

Terça-feira, Maio 15, 2007

Sigo

Pés descalços, piso a terra, como o pó
Mão vazias, grandes sonhos, sigo só
Pela frente? O calor da uma e meia
Para trás? Não muito...

Eternamente de abalada
Sigo na minha estrada
Perco de vista o horizonte

E não sei nada...
Mil vidas posso ter
Mil carreiros por escolher
Senhora rainha serei?
Mil fardos carregarei?
Quantos amores?
Quantos pesares?

Apenas sei, que sigo.

Joana_Pombo
© Reservado a direitos de autor
sigo

Domingo, Abril 22, 2007

Joshua Bell

a propósito de um post que li no anónimo

os sons e o violino

Sexta-feira, Abril 20, 2007

"Crítica da Razão Pura" - Kant

Que podemos saber? Que devemos fazer? Que nos é lícito esperar?

Domingo, Abril 15, 2007

Morte ao meio dia - "Tempo Duvidoso"

a voz

No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?

Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer

Ruy Belo

Segunda-feira, Abril 02, 2007

por vezes


Por vezes caio na tentação de falar de sentimentos, os tais que o António Damásio diz não serem mero adorno das emoções. Mas a verdade é que andam sempre de mão dada.

Tudo isto para dizer que hoje me sinto vazia e que é nesta disposição que parto, depois de amanhã, para mais uns escassos dias de férias. Quem sabe não voltarei com o coração cheio da limpidez das águas, com a alma plena de odores primaveris?

Para os amigos que me lêem deixo o meu mais bonito sorriso e um abraço!

Quinta-feira, Março 29, 2007

Insónia

Era Inverno, lá fora o vento empurrava a chuva e o frio cortava.
Sentada no sofá, ela olhava fixamente a TV na tentativa de perceber o que o JMV dizia, mas os seus ouvidos estavam atentos a outros sons.
- Estás bem?
- Sim, estou, não te preocupes, isto passa...
O medo infiltrara-se de tal modo que ela nada mais ouvia que o pulsar da respiração dele entrecortada por pequenos sons que ela imaginava serem de dor.
- Queres ir agora?
- Não, esperamos pela manhã. Não dormes, não vais descansar?
- Não, não tenho sono, estou com uma insónia terrível...
Mentia, não era insónia, era medo. Lá dentro o bébé chorou, as lágrimas recolhidas aproveitaram a cumplicidade da escuridão do quarto para poderem estender-se um pouco e jorrar como fontes manchadas de sangue e dor.
- Senta-te aqui, ajudas-me? Estás tão bonita, tenho tanta pena de perderes assim os teus dias, só tens gente para tratar...
Levantou-se bruscamente e disse:
- Não digas asneiras! Só perde tempo quem o tem de sobra. Vá, deita-te, vou ajudar-te a descansar. Queres que te faça uma massagem na barriga?
- Sim...
Cansado, deixou-se embalar na doce magia do toque das suas mãos e, finalmente, adormeceu.
Júlia de Sá

Terça-feira, Março 27, 2007

Pequenos apontamentos

Por vezes a noite torna-se demasiado longa surgindo então uma necessidade absoluta de a preencher. Nesse contexto, resolvi retirar de um dos caixotes onde guardo livros que esperam o surgimento de novas prateleiras, O Significado da Relatividade de Albert Einstein, numa edição de 1958 já com as páginas amarelecidas pela passagem dos anos, numa tradução feita pelo Professor Mário Silva.
Todos nós temos um referencial de tempo e é comum dizermos «antes de» e «depois de», no entanto esse referencial é subjectivo pois apenas se aplica a cada um de nós não sendo este tempo mensurável, podendo, no entanto, ser associado a um corpo físico que é o relógio. Pode, assim, haver uma comparação entre experiências de pessoas diferentes associando a ordem dos acontecimentos fornecidos pelo relógio com a ordem da série de acontecimentos considerada anteriormente. Ficam então baralhadas as nossas ideias preconcebidas acerca do tempo.
Ainda citando Einstein, por meio de mudanças de posição poderemos levar dois corpos ao contacto um do outro sendo assim introduzido o conceito de espaço. No entanto, ao levar um determinado corpo X até junto do outro corpo Y constitui-se uma espécie de prolongamento deste, podendo nós designar o conjunto de todos os prolongamentos de Y, por «espaço do corpo Y».
A minha ideia não é falar de teorias relativistas ou pré-relativistas, até porque jamais ousaria tocar em assuntos que de modo algum domino, é, muito simplesmente, falar de mim e do meu espaço, ou mais propriamente, no que constitui o meu espaço e o meu tempo.
....
Nota: a propósito do tempo reabilitei este post do meu blog «O espaço e o tempo».

Segunda-feira, Março 26, 2007

o tempo

.....
O Papalagui adora muita coisa, mas acima de tudo gosta de uma coisa que não se pode agarrar e que no entanto existe: o tempo. Leva-o muito a sério e conta toda a espécie de tolices acerca dele.”

Sábado, Março 24, 2007

A caixa de Pandora

foto tirada da net
......
e a caixa fechou-se...

Quinta-feira, Março 22, 2007

malmequer

foto tirada da net
.....
mal me quer... bem me quer...

Quarta-feira, Março 21, 2007

Metron Logos

foto tirada da net

Unidades de base do Sistema Internacional e respectivas grandezas:
....
ampere (A) - intensidade de corrente eléctrica
kelvin (K) - temperatura termodinâmica
segundo (s) - tempo
metro (m) - comprimento
kilograma (kg) - massa
candela (cd) - intensidade luminosa
mole (mol) - quantidade de matéria

Definição de metro: o metro é o comprimento do trajecto percorrido pela luz no vazio, durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 do segundo.
A incerteza de realização é muito pequena (2 em 10 elevado a 8)

Nota: Isto é apenas um desabafo, já que tenho de estar a trabalhar até às 23 h, partilho o trabalho e o sorriso.

Segunda-feira, Março 19, 2007

Azul

"Oh inmenso azul! Yo adoro
tus celajes resuenos,
e esa niebla sutil de polvo de oro
donde van los perfumes y los suenos."

Ruben Dario in Azul

Terça-feira, Março 13, 2007

A culpa é do Arrhenius

foto tirada da net Afinal a culpa do aquecimento global não vai morrer solteira ...

Domingo, Março 11, 2007

Abraços e laços

foto tirada da net
Abraços são isso mesmo, laços que nos unem aos que gostamos, laços que nos permitem sair do outro lado do espelho e viver na plenitude a simplicidade da amizade na sua forma mais pura.
Não basta dizer é necessário fazer...
Sei que não lerás o que aqui escrevo, R, mas é para ti!

Sábado, Março 10, 2007

outras ondas

Marcas deixadas na areia ainda molhada pela ternura das ondas que impetuosamente espalharam a força do seu querer. Rasto de passos deixados ao acaso chamando a si o silêncio do entardecer esperando a bruma da manhã que inevitavelmente surgirá. Ondas prateadas pela luz de mais um dia que nasce.

Sexta-feira, Março 09, 2007

ondas

foto tirada da net
.....
Hoje passei o dia todo em "ondas polarográficas". Gosto de ondas, daquelas que docemente se espraiam sobre a areia, num abraço infinito, fecundando-a com todos os seus elementos naturais. Ondas sonoras, que me permitem sentir junto ao ouvido o carinho daqueles de quem gosto. Ondas electromagnéticas, que transmitem através o espaço. Enfim, ondas de diferente amplitude, mas quase todos de forma sinusoidal, como a dizer, hoje estou bem, ontem não estive, amanhã, quem sabe se estarei?.
Mas, afinal o que é isso de ondas polarográficas, pois... são umas ondas um pouco diferentes

Quarta-feira, Março 07, 2007

Folhas caídas...

«Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.» Almeida Garrett

Domingo, Março 04, 2007

âncoras

foto tirada da net
Quantas vezes prometi que embarcaria numa das naus nesse porto ancorada, um dia fá-lo-ei. Ficarei ao largo, vendo o porto com os olhos de quem parte, sentindo que o tempo que roubei ao tempo não chegou para que a âncora tocasse o fundo desse mar onde guardo segredos e sonhos que aos poucos vou perdendo diluídos na quietude das águas a cada momento renovadas. Hoje, ontem, amanhã, talvez...

O fascínio da Lua

foto tirada da net

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.

Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.

Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.

Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.

Mais um passo.
Mais outro.
Num sobrehumano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

António Gedeão

Sábado, Março 03, 2007

nem o tempo vai chegar...

O espaço e o tempo é um binário que nos tolhe os movimentos enclausurando-nos num casulo espacial.
É uma espécie de dor...
....

Sexta-feira, Março 02, 2007

Planeta Azul

foto tirada da net

O azul do mar... azul azul azul ...
A água é um bem escasso e essencial.

Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

o vácuo, o vazio e o nada


É na ausência de matéria, vácuo onde apenas e só as ondas, a luz ou os campos têm existência que aos poucos se vai criando um espaço vazio com capacidade para conter algo que não tem.
Nada é a negação de tudo o que existe, é um não lugar, um não espaço. O nada está indubitavelmente associado à nossa mente, não tem lugar na Física ou na Química. O nada é algo que me persegue e do qual tento fugir, por vezes sou apanhada nas suas malhas, sentindo-me qual partícula oclusa numa rede cristalina defeituosa.
E assim permaneço neste dualismo, a consciência de uma mente distinta do corpo: penso, logo existo (Descartes). Mesmo que ao pensar eu me engane, eu, sujeito epistémico, existo!
O ideal seria conseguir dissociar fisicamente a alma (mente) do corpo, viveriam assim felizes, cada um para seu lado, sem críticas, sem questões e, principalmente, sem colisões.
........
[mais um transporte do Espaço e o Tempo. Na verdade ando cada vez mais vazia, sendo assim, nada mais me resta que (re)escrever o que já escrevi.]

Domingo, Fevereiro 25, 2007

reviver o passado

Há dias em que me dá uma grande vontade de reviver o meu passado literário, quero com isto dizer, olhar e reler alguns dos autores que sofregamente li. Eu sou de manias, confesso, sou de paixões, admito. Sendo assim, quando um escritor me desperta a atenção lei-o exaustivamente, livro após livro, linha por linha, letra por letra. Até que repentinamente me canso e o arrumo na prateleira. Hoje voltei ao Abelaira e recordei as discussões que estas leituras geraram. Que não, não percebiam porque andava eu a ler o Abelaira, romances sem interesse. Que sim, perceberiam muito melhor se me dedicasse a outro tipo de literatura.
Em homenagem ao Augusto Abelaira, com quem, do alto dos meus 18/19 anos, amiudamente me cruzava na rua, aqui deixo este post.

era uma vez (repito)

Neste sonho voo, sinto no rosto a brisa da liberdade, o pensamento ao longo dos dias amarrado corre feliz por entre as estrelas.
Ah! Pudera eu voltar atrás no tempo e preencheria cada minuto da minha vida com estrelas cintilantes de fantasia.

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

era um redondo vocábulo

retrato tirado da net
Zeca Afonso

saudades

(…) Saudades de ti? Não tenho a certeza, serão saudades de ti, ou de mim?
As mãos húmidas da noite, escura, fria e tenebrosa, tentavam desesperadamente atravessar as vidraças que me separavam dela. Ao longe, o rugir das ondas batendo fortemente nas rochas levava-me para um outro mundo, o mundo dos sonhos.
Deixei-me inebriar, deixei que os fantasmas da noite tomassem conta de mim, e para eles, pus música, exaltante, extasiante. Pensei em ti, em tudo o que vivemos, saboreei cada momento e em cada um deles redescobri a minha capacidade de amar, perdida no tempo, adormecida nos anos, que passaram velozes por mim.
Lembro-me que pensei: “vivi estes momentos, ou tudo não passou de um sonho? Sonho lindo com sabor amargo”.
Quando acordei, o sol brilhava, acariciando muito ternamente aquelas águas tão azuis, tão aparentemente inocentes, as águas que na noite anterior tinham embalado o meu sonho, o meu sono. Saí para a rua e fiquei-me a contemplá-las, a pensar em como a quietude anda de mãos dadas com a turbulência, mostrando, ora uma face, ora outra.
Depositei naquelas águas tão tranquilas, tão azuis, tão imensamente grandiosas, a minha esperança. Soube, naquele momento, que nunca mais seria a mesma, que mais um marco tinha sido colocado no caminho da minha parca existência. A vida é feita de pequenos incrementos, cujo somatório nos conduz aquele ponto crucial, que é a morte.
Dizem que na morte surgem, por momentos, todos esses incrementos, separados por marcos, mas ninguém sabe muito bem o que é a morte, para mim, é apenas um somatório, um resultado final, um limite.” (…)


Eu sei que já publiquei este post no Espaço e o Tempo, mas resolvi transferi-lo para aqui...

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

o preto e o branco

Embora timidamente, a neve caiu...

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

falando de sentimentos

foto tirada da net
«Os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou deitar fora» escreve António Damásio, na página número 20 em Ao Encontro de Espinosa tentando Dar a Palavra aos Sentimentos.

Há pessoas que não têm sentimentos... mentira! Todos nós os temos, só que há dois tipos de sentimentos: os perenes e os caducos.
Azar dos que alimentam a perenidade dos sentimentos, vêem-se assim envolvidos em lutas internas para manterem o seu equilíbrio enquanto seres humanos.
Sorte dos que desenvolvem a sua caducidade, saltitando de nuvem em nuvem alimentando-se das gotículas que as constituem.

Ah! Como eu gostaria de ser uma folha.... caída!

era um redondo vocábulo

Chegada ao ponto de partida, olho o círculo descrito desenhado a régua e compasso. Em cada ponto um vazio, em cada vazio uma esperança, em cada esperança a espera.

Sábado, Fevereiro 10, 2007

infinita regressão...


Pausa para reorganizar os sentimentos, arrumar as gavetas onde moram as emoções e sorrir.

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

ela

Estava uma noite de lua cheia daquelas em que a água salgada do mar teimava em reflectir os tons prateados cuja nobreza não conseguia absorver. Ela ali estava, quieta, indiferente, quase inanimada, vazia de emoções e nas mãos os destroços dos sentimentos ainda há pouco tão fortes.

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

encontros



Num dos meus passeios virtuais dei de caras com o Francisco Rodrigues Lobo, discípulo de Camões, doutor de leis, poeta, escritor. Deixo aqui um poema seu dedicado ao rio que no seu leito o acolheu.
......
.....
....
..
.....
Fermoso Tejo meu, quão diferente
Te vejo e vi, me vês agora e viste:
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
Claro te vi eu já, tu a mim contente.

A ti foi-te trocando a grossa enchente
A quem teu largo campo não resiste;
A mim trocou-me a vista em que consiste
O meu viver contente ou descontente!

Já que somos no mal participantes,
Sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera
Que fôramos em tudo semelhantes!

Mas lá virá a fresca Primavera:
Tu tornarás a ser quem eras dantes,
Eu não sei se serei quem dantes era.

Domingo, Fevereiro 04, 2007

fuga


Veneza 2003

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

S. Pedro de Moel - o mar

foto
é o mar da minha infância, da minha juventude, onde, balzaquiana me passeava de crianças pela mão ouvindo o som do mar furioso ou sentindo as suas carícias quando, mais quieto, abraçava a areia, é o mar da minha minha vida!
Perceves, sargos, lapas e tardes perdidas a ver o mar... a sentir a sua fúria quando, zangado, se atirava contra o paredão que suporta o café, agora restaurante.
Ó mãe.. óoooo mãeeeeee...
Não filha, não somos nós que dominamos o mar... é ele que nos domina a nós, é voluntarioso, o mar...
E a areia a fugir debaixo dos pés, a água a correr por entre os dedos e os barcos ao longe, muito ao longe...
Ó mãe... ó mãeeeeee...
Amanhã, quando a bandeira estiver verde.
...
Pela mão do Z. M. e pousando na ramãzeira vieram-me à memória lembranças de despreocupação e alegria. Dias felizes!
Café da Praia, Bambi, Snoobar... e mar, muito mar!

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

palavras

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

José António Barreiros


um modo diferente de escrever .

Domingo, Janeiro 28, 2007

por entre os bits e os bytes...

...............................................................................................foto tirada da net
Digitando cada dígito
deixo minhas impressões digitais
nos bits, nos bytes
no abrir infinito dos sites
onde moram os amores, amigos
e paixões virtuais
Um coração batendo repetido
e dez dedos batendo entretidos.
O que posso eu querer mais?

Adriana Mendonça

Domingo, Janeiro 21, 2007

a íntima ligação...

...entre a razão e a emoção

Sábado, Janeiro 20, 2007

Ponto de orvalho...

Foto tirada da net
Nem se chega a saber como
um inusitado sorriso,
um volver de olhos doentes,
um caminhar indeciso
e cego por entre as gentes,
chamam a si, aglutinam,
essa dor que anda suspensa
( e é dor de toda a maneira)
como o vapor se condensa
sobre núcleos de poeira.
É essa angústia latente
boiando no ar parado
como um trovão iminente,
que em muda voz se pressente
num simples olhar trocado.
Essa angústia universal,
esse humano desespero,
revela-se num sinal,
numa ferida natural
que rói com lento exagero.
Não deita sangue nem pus,
não se mede nem se pesa,
não diz, não chora, não reza,
não se explica nem traduz.
A gente chega, respira,
olha, sorri, cumprimenta,
fala do frio que apoquenta
ou do suor que transpira,
e pronto, sem saber como,
inútil, seco, vazio,
cai na penumbra do rio,
emerge, bóia, soçobra,
fácil e desinteressado
como um papel que se dobra
por onde já foi dobrado.

António Gedeão



Só um homem das Ciências Físico-Químicas poderia ter escrito um poema destes fazendo a intercepção da emoção com a razão.
Ponto de orvalho
: temperatura à qual o vapor de água presente no ar ambiente passa ao estado líquido na forma de pequenas gotas.

Domingo, Janeiro 14, 2007

A Química

Hoje ao fazer uma pesquisa na net encontrei este site e já agora... a quem interesse saber algo sobre o gold book e a IUPAC.

Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

lá, onde a corrente electrónica flui

Imagem gentilmente cedida pela Joana
Temos por vezes a sensação de que a nossa cabeça é um órgão de resistência infinita, que podemos esticá-la até ao limite sem que haja ruptura. Esquecemos que em tudo somos humanos e que, tal como noutros sistemas, a falha pode acontecer surgindo então o desmoronar do império dos sentidos. A Física e a Química deixam então de funcionar como um todo, apercebemo-nos então de que algo está a funcionar mal e que a diferença de potencial se aproxima vertiginosamente do zero - torna-se imperativo fazer uma pausa.

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Acenda uma vela contra a pornografia infantil


'Mais de um milhão e meio de pessoas já assinaram a petição «on-line» . A pornografia através da Internet é uma indústria multimilionária.' In Expresso .

Feliĉigan Novan Jaron

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória sem desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Fernando Pessoa, «O das Quinas», in Mensagem

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

Ano Bom!


Mês de Janeiro em As Riquissimas Horas do Duque de Berry

Que o primeiro dia do mês retratado pelo Duque de Berry seja o início de mais um Ano Bom!

recordações

«Ela desatou o pacote de papéis, muito atado, metido numa pasta de cartão, e recomeçou a lê-lo. Já o conhecia. Tinha-o escrito e lido, mas deixara-o adormecer, esquecer quase. Não era uma escritora, não mirava à publicidade. Estava ali um pequeno coração morto, que já não era o seu. Para ela própria se acanhava de o ressuscitar. Tão inútil é viver, reviver um passado longínquo, de raízes secas... Mas por teima (...) pura teima, se pôs a relê-lo.»

Quarta-feira, Dezembro 27, 2006

falar de amor

Hoje apetece-me falar de amor, daquele que nos destrói a razão e nos faz fazer figuras ridículas. Mas só são ridículas aos olhos de quem as não compreende, daqueles que não sabem que o amor nos intervalos das fortes emoções nos deixa serenos e com a sensação de que tudo tem solução, daquele que nos dá força, que vai buscar energias que nos levam a ultrapassar montanhas. O amor é ridículo, mas só um coração que consegue ter dores é um coração jovem e forte. Quero ser ridícula, sou ridícula!

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

ainda as energias renováveis...


O futuro ??
CO2 a grande preocupação...

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Quando a diferença de potencial se aproxima de zero...

Em passo de corrida e antes de me enfiar num Congresso da SPQ, venho aqui colocar este post. Muito simplesmente... comoveu-me!!
É tão triste vermos os que amamos perderem as suas capacidades físicas e intelectuais.

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

vazio

Eu queria escrever... mas nem uma palavra me sai dos dedos nem uma ideia me surge no pensamento. O excesso de trabalho está a esgotar todos os meus parcos recursos.

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

ser português

Saudade! Gosto amargo de infelizes,
Delicioso pungir de acerbo espinho,
Que me estás repassando o íntimo peito
Com dor que os seios d’alma dilacera,
- Mas dor que tem prazeres – Saudade!
Misterioso númen, que aviventas
Corações que estalaram, e gotejam
Não já soro de vida, mas delgado
Soro de estanques lágrimas – Saudade!
Mavioso nome que tão meigo soas
Nos lusitanos lábios, não sabido
Das orgulhosas bocas dos Sicambros
Destas alheias terras – Oh Saudade!
Mágico númen que transportas a alma
Do amigo ausente ao solitário amigo.
Do vago amante à amada inconsolável
(…)
Em Camões, Almeida Garrett

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

compilando tragédias

«A tragédia é assim hoje mais uma consciência do que uma expressão. É dentro de nós que ela se realiza, porque justamente - e isso é fundamental no modo de se ser hoje - o espírito é uma dominante no modo de se ser hoje humano.» Conta Corrente, Vergílio Ferreira
...
Será que as coisas se estão a inverter e Descartes tinha razão? Pensamos/Existimos ou Existimos/Pensamos?
...
O nosso espírito paira no ar sem que a nossa existência tenha visibilidade, apaixonamo-nos por ideias e vivemos agarrados à esperança de que aquela essência se encaixe numa determinada existência. Acontecerá um dia, estou certa, na crista de uma determinada onda electromagnética surgirão bolsas de ideias que a «engordarão» aumentando assim a sua amplitude até ao infinito.
...
Sem tempo para pensar já quase não existo!

Domingo, Novembro 26, 2006

amizades

Quando se gosta de verdade não há montes nem vales intransponíveis. Sexta -feira encontrei-me com uma amiga que já não via há três anos (a ideia era ir ao concerto). Por motivos profissionais ela foi viver durante um ano para EUA e também pela sua intensa actividade profissional, que por vezes se cruza com a minha, passou mais um ano e mais outro sem nos vermos ou termos qualquer contacto. Bastou um telefonema para iniciarmos a conversa exactamente no ponto onde a tinhamos deixado há três anos atrás. Fomos tomar uma água a um local cheio de gente, mas não vimos ninguém, a nossa conversa absorveu por completo aquele tempo roubado ao tempo.
Boa viagem minha amiga, B. e uma carrada de projectos para análise esperam-te!!

Sábado, Novembro 25, 2006

jacinta

Ontem, como todos os dias desde alguns meses para cá, afundada em processos para analisar, uma dead line para respeitar e umas avaliações para fazer lembrei-me que tinha bilhete para um concerto no CCB que se realizaria pelas 9 h. O grande problema foi chegar lá, entre chuvas fortes e acidentes ia-me movendo a passo de caracol, eram 10 h quando entrei no átrio do auditório. Levantei o bilhete que o porteiro tinha guardado e dispunha-me a ir para o café mais próximo esperar pela pessoa com quem fizera intenções de ir ouvir o concerto, pois faltavam apenas 30 m para terminar. Solícito o porteiro encaminhou-me então para o terceiro andar e, muito em silêncio e solitariamente, na lateral do último balcão ouvi a Jacinta, cantora de jazz .
Tem uma voz poderosa, conseguindo criar empatia com o público. Gostei!
Jacinta gravou com uma das mais conceituadas editoras de jazz do mundo - Blue Note Records.
Interpretou alguns dos grandes autores do jazz, terminou com uma canção que, para além de belíssima, me traz as mais bonitas recordações - Dorme meu menino a estrela d'alva, Zeca Afonso.

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

o mundo à minha volta

Corro faço e desfaço amo desamo e volto a amar e o mundo invariavelmente continua grande e pesado sufocando-me como um polvo de ventosas grandes e poderosas que em segundos criam entre mim e elas o vácuo.
Corro páro e morro como um pássaro ferido durante o voo que ousou encetar.
Já não corro os olhos vazios fixam-se na linha que separa a realidade do infinitamente grande mundo do sonho.
E lá nessa linha imaterial encontro o que outrora perdi a capacidade de querer e ter de pensar e existir.
Entretanto chove...

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

encontrei uma pedra

Encontrei uma pedra, olhei-a de frente, olhei-a de trás e de lado também, bafejada não cheirava a barro, a adição de ácido não provocou efervescência. O brilho era intenso, tratava-se de uma pedra polida, o grau de dureza era elevado, 10 na escala de Mohs, teria com toda a certeza átomos de carbono na sua constituição. Analisando mais em pormenor, verifiquei tratar-se de uma pedra constituída por um único cristal de forma octaédrica. Interroguei-me... estarei perante a nobre pedra cuja eternidade está escrita nos céus? Sim, era um adhamas! Olhei-o de frente, procurei os químicos, desencadeei reacções. Submetia-a a altas pressões, quebrou, era pouco tenaz.
Nada é eterno!

Sábado, Novembro 18, 2006

Cogitações

Coimbra tem mais encanto na hora da despedida...
Acho Coimbra uma cidade bonita, a ela me ligam recordações de um tempo em que os sonhos ainda eram realizáveis.

Domingo, Novembro 12, 2006

Cogito ergo sum

O ser humano tem atitudes e comportamentos deveras estranhos e contraditórios.
A ser verdade o que nos sugere Descartes, a nossa existência como seres estaria condenada à tomada de consciência do acto de pensar - não pensar, significaria não existir.
No entanto, sabemos que isso não é verdade, existimos muito antes de pensarmos. Aliás, ao ler determinadas coisas escritas de um modo tão primário atrever-me-ia a dizer que há determinados seres que, qual papagaio, não pensam no que escrevem, sai-lhes da boca para fora como um vómito involuntário e pernicioso conspurcando espaços circundantes e alvejando outros seres que, esses sim, pensam para além de existirem.
Esta separação abissal entre o corpo e a mente leva-me a concluir que há dois tipos de seres humanos, os que existindo pensam e os que, muito simplesmente, existem.

Sábado, Novembro 04, 2006

o concerto

Eu queria estar na festa pá....
...
Sei que há léguas a nos separar...
Tanto mar, tanto mar...

Dizer que gostei ficaria muito aquém do que realmente senti ao ver e ouvir Chico Buarque, apesar do mar imenso há pontos de contacto. Construiu-se a estrada, que venham os caminhantes!
A sua extrema magreza contrastava com a força da voz.

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

as energias renováveis

Há uns meses atrás escrevi neste blog um post tendo como tema a energia nuclear.
Na altura era urgente e inadiável a construção de uma central nuclear, considerei que dada a natureza das reacções em causa (fissão /cisão nuclear) e o facto de termos um planeta deveras massacrado e com os recursos naturais já em avançado estado de esgotamento se deveria ponderar muito bem a construção de mais uma central nuclear.
A energia eólica é já um facto consumado e uma alternativa consistente, já os nossos antepassados próximos a usavam para fazer mover barcos e moinhos.
Numa das minhas viagens à Beira Interior foi-me dado a conhecer o facto de estar em fase terminal a colocação de vários aerogeradores na Serra da Gardunha, o que poderá alimentar energeticamente algumas das populações circundantes. Será mais um parque eólico a juntar a outros.
Não sou uma ambientalista militante, mas considero que temos a obrigação de preservar, na medida do que nos for possível, o planeta para que as gerações vindouras o possam usufruir.

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

dias de sol

Há dias em que o Sol nos entra pela janela aquecendo-nos as mãos ainda há pouco frias.
É como se dentro de nós uma nova força se desenvolvesse...
Gosto do Sol assim, moderadamente quente, de modo a não torrar.

As minhas ausências...

As razões...
Parto no vento já sem alento... silencio-me num penar sem fim, a minha inaudível voz refugia-se no silêncio das palavras que nada dizem... o meu pensamento cruza-se algures com a cauda do vento e nele me perco... afundo-me na aniquilação de mim própria.. hoje, morro...
Ouço o canto dos cisnes, vejo a dança da chuva... tudo encenações... refugio-me em ti ó doce e efémera felicidade...
Arrasto-me no silêncio da minha solidão, bebo o cálice da tristeza e sorvo a hóstia do desânimo. Já nada me embala, nada me alegra...

Domingo, Outubro 08, 2006

há dias...

Há dias em que de mão estendida pedimos um sorriso à porta da Igreja ou, numa versão mais moderna, à porta do supermercado. São dias... dias cheios de nada em que as recordações teimam em chegar.

Sábado, Outubro 07, 2006

As coisas que se escrevem

Li num jornal que as Universidades estão a abrir as portas a centenas de alunos com o 9º ano, isto se não fosse triste até daria para rir. Desde sempre houve os chamados exames Ad-HOC, que actualmente se denominam «maiores de 23 anos». Desde sempre ficou reservado um número mínimo de vagas para alunos que, mesmo sem terem o 12ª ano pudessem concorrer às Universidades efectuando EXAMES extraordinário de avaliação da capacidade para acesso ao ensino superior (neste caso, matemática e química) elaborado pelos docentes da respectiva Universidade.

É inadmissível que um jornal que pretende ser sério venha dizer que a entrevista é um mero pró-forma. A entrevista é uma das provas, para além dessa terão de fazer, como já referi, uma prova de acesso e a maioria reprova, talvez por não reunir os conhecimentos exigidos.
Relativamente à Escola em questão nada posso dizer, pois não conheço a situação, mas se algo de errado e ilegal se passa há que ver bem a questão. É importante não generalizar e mais ainda, respeitar e tentar melhorar o ensino e as escolas. O desenvolvimento de um País passa pela educação do seu povo. Haja decência!

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

O meu pé de laranja lima

Em dias de arrumações há sempre algo que nos surpreende...

Terça-feira, Outubro 03, 2006

infinita regressão

Pulgas grandes pequenas pulgas têm
Sobre as costas para as morderem
E as pulgas pequenas mais pequenas pulgas têm,
E assim ad infinitum.

E as pulgas grandes, por sua vez,
Maiores pulgas têm para morderem,
Enquanto estas as têm ainda maiores,
E essas maiores ainda, e assim sucessivamente.

(Morgan, cit in Gardner, 1993, p. 23)

Ou, numa versão mais paradoxal:
Aquiles nunca pode alcançar a tartaruga; porque na altura em que atinge o ponto donde a tartaruga partiu, ela ter-se-á deslocado para outro ponto; na altura em que alcança esse segundo ponto, ela ter-se-á deslocado de novo; e assim sucessivamente, ad infinitum.

(Kirk e Raven, 1979, p. 301-302)

E assim, nesta infinita regressão, vou avançando com a nítida sensação que estou exactamente no mesmo sítio... quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?

Salpicos

Terminei agora o meu dia de trabalho para recomeçar daqui a umas escassas seis horas. Foi um longo dia que me deixou exausta mas que teve, aqui e ali, salpicos de alegria. É com eles que vivo!
Abusivamente retirei esta rosa de um jardim cujas portas encontrei abertas... partilho-a convosco.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Deste lado do mundo

Aqui deste lado do mundo a noite é escura e o sol teima em não brilhar.

«Cortaram-te o bico ó rouxinol
Rouxinol sem bico não pode viver»

Padre Fanhais

Domingo, Setembro 24, 2006

Domingo de Outono

Gosto das manhãs de Domingo, a casa mergulhada no silêncio, as ruas quase desertas como que reflectindo a serenidade dos dias dedicados à preguiça e ao lazer.
Pela janela entram os raios solares já sem a agressividade dos tons do Verão. Gosto assim, de sentir os primeiros frios, o cheiro das primeiras malhas que vestimos e o da terra absorvendo as primeiras chuvas. O Outono é a minha estação do ano preferida, entendo-a sempre como um recomeço tranquilo, como um chamamento para novos desafios.

Sábado, Setembro 23, 2006

E Tudo o Vento Levou

A propósito de Leslie Howard "Ashley", encontrei esta foto aqui .

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Le Chatelier

"Um sistema em equilíbrio responde a qualquer perturbação com uma alteração que tende a contrariar a perturbação a que foi sujeito."

Uma parte de nós é Química mas a outra parte de nós é Amor, e quando uma destas variáveis sofre alterações o nosso equilíbrio rapidamente tende a restabelecer-se, se isso não acontece... é a ruptura do sistema.

as mäos enrugadas do desejo*

quando as mãos enrugadas
do destino
se perdem no tempo a correr
e tuas ilusöes destrocadas**
em desatino
teimam em aparecer
agarra os sonhos que voam
aperta-os contra o peito
esquece os bracos que te magoam
e dorme com eles no teu leito

quando as mãos enrugadas
do vento
deixando o espaco vazio
secam tuas faces molhadas
e invadem teu pensamento
sente o calor que te aquece do frio
o desejo de a vida viver
as estrelas te abracando no firmamento
a dor envergonhada se esconder
quando a porta da esperanca se abriu…..

quando as mãos enrugadas
do desejo
de com ansia agarrares o presente
e tuas mãos ás minhas intercaladas
vendo ao longe o mesmo que eu vejo
o murmurio da minha voz na tua mente
implorando baixinho ” não vás….”
as nuvens gritam no ceu
o sonho que na alma morreu
enquanto o vento tuas lágrimas trás

Malou Engberg C.
.....
*poema de um amigo sueco que queria muito aprender a escrever em postuguês.
O computador dele não tinha «ç» nem alguns acentos, não me atrevi a mexer no texto.
**destroçadas

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Notícias

Há coisas que me fazem «arregalar» os olhos de espanto. Dados surgidos na comunicação social apontam para 80 % de reprovações na disciplina de matemática no exame nacional de 12º ano , ou seja, em cada 100 alunos apenas 20 tiveram aprovação. Anteriormente, no exame nacional de matemática de 9º ano houve 921 alunos com a nota máxima (5) num universo de 92 000.
Estranho... não acham?
As escolas onde se ensina a engenharia que se acautelem...

Domingo, Setembro 17, 2006

violência versus autoridade

Chegar, bater e fugir . Vivemos numa sociedade em que a autoridade está em crise e exercê-la poderá se