domingo, setembro 04, 2011

a transparência



Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prémio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida
.

Luís Vaz de Camões

noite



Há a noite e a incerteza da manhã, sons que habitam o vazio dos dias que morrem. Fantasmas de um passado feliz e a saudade. Sonho correndo por entre a chuva que cai, como o mar, num daqueles dias de marés calmas, como um rio que se espreguiça através do seu curso, das cascatas, saltando através das paredes escarpadas, sem temer a queda das alturas, dos lagos. Aurora boreal no resplandecer do dia.

sábado, setembro 03, 2011

vida



Lá fora o bulício de uma manhã que regista o pulsar da vida. E um coração que renasce.

quarta-feira, agosto 31, 2011

terça-feira, agosto 30, 2011

sábado, agosto 27, 2011

sopro

No silêncio do medo a alegria e o sopro. Há um batente na porta entreaberta desse sonho ancorado no porto da inocência e o passado solta-se em folhas de tons pastel que sobrevoam o presente aniquilando a saudade. E os rios são mares que transbordam invadindo areias onde e só as conchas habitam.

clave de sol



o fio que agarra a voz e nela deposita a esperança em espera transformada arrancando-lhe a indefinição do "acontecer". solta-se o som semeando sustenidos e bemóis compasso de tempo indeterminado. e sobre o Tejo caem as estrelas iluminando as águas que as ondas transportarão. na imensidão do mar o azul descerá sobre a tranquilidade de quem nele navega sentindo o suave embalo da ternura. clave de sol.