sexta-feira, abril 13, 2012

Albatroz

No murmúrio das palavras, o silêncio. Solta-se o riso no cruzar dos olhares cúmplices. Tão bom. E as moléculas pesadas que constroem o nosso sofrimento volatilizam deixando no ar a amizade que o tempo agarra. Na presença da luta pela vida a suavidade da música que nos embala. Solta-se o sono e o sonho.


foto retirada da net.

segunda-feira, abril 09, 2012

serpente

Enroscada, corda de bambu que nos asfixia. vigilante. e o veneno que nos enegrece a alma e desfaz o coração. colapso. a surpresa da memória desfeita, a vulgaridade. caravelas que a fúria do mar desfez no reerguer do mastro. derrota. e...

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
de um vulto que não vejo e que me assombra
E em nada existo como a treva fria.
[FP]

sexta-feira, abril 06, 2012

final do dia

No silêncio recluso deste espaço que não me pertence sugo o sossego de mais um dia que termina, ao longe ouço apenas uma ou outra voz perdida, aquela que adiou a partida para o prolongado descanso. E no horizonte vislumbro a aguarela que a minha vida passada deixou, no azul está pintada a alegria, o amor, a ingenuidade, a crença e a vontade, em tons pastel surge o quadro da felicidade plena, um quadro inacabado e no qual caíram as manchas vermelhas do sangue e o negrume da morte. E depois… depois vem o ponteado de uma pintura que não consegui iniciar nem concluir, como estilhaços de um asteróide que se destruiu contra o muro do sonho. Reergo-me, qual fénix, das cinzas deixadas pelo fogo onde a queimei, essa tela ponteada…

O tempo foge-me como um pássaro azul deixando-me amarrada nas suas asas. E aqui vou, voando ao sabor da corrente que amanhã me levará para o mar…


segunda-feira, março 26, 2012

tantos muros

esculpidas em pedra estão as palavras que o vento levou e o silêncio acomoda-se no vazio que o coração deixou. palavras amarradas.

quinta-feira, março 15, 2012

tempo

o tempo corre como uma lebre fugidia. passaram seis anos ao longo dos quais partilhei tristezas e alegrias, fúrias e serenidade. e, principalmente, amizade!


domingo, março 11, 2012

Hakuna Matata

Alguma vez imaginaste o que serão aqueles pontos brilhantes lá em cima?
Pumba, eu não imagino, eu sei!
Ah! E o que são?
São pirilampos,… pirilampos que ficaram colados aquela coisa grande azul escura…
Aaahh… Txiii... sempre pensei que fossem bolas de gás a arder a milhões de quilómetros daqui.
Pumba, para ti, tudo é gás...
Simba, o que é que tu achas?
Oh, eu não sei…
Oh, vamos… Vá lá…
Nós já dissemos…
Diz
Por favor
Alguém me disse uma vez… que do alto das estrelas, os grandes reis do passado contemplam-nos…
Queres dizer que um bando de reis mortos está a olhar lá de cima?

E somos pontos luminosos num Universo onde as estrelas se cruzam libertando pirilampos que nos iluminam na humidade das noites escuras e frias. E sobre nós desce a ansiedade da derrota anunciada, a inutilidade dos sonhos por cumprir. E as raízes que nos sustentam libertam-se da terra ressequida na esperança do reencontro com a fertilidade. E, na infinitude do tempo e do espaço, somos vazio que nos limita ao silêncio de uma existência sofrida. Cantam os anjos, ofuscando assim a parca e transparente essência que nos aflora a rubra face. O bando de reis mortos olha-nos lá de cima como se fôramos partículas transitando entre níveis energéticos. Ah! O sonho de mergulhar nos límpidos mares azuis de Creta onde o Minotauro habita na esperança de, também ele, seguir os fios de Ariana.


dias