quinta-feira, janeiro 16, 2014

as inquietações e a dialéctica

A inquietude da palavra, a que se diz, a que se advinha e a que se não diz. Há no "dizer" da palavra a ambiguidade do duplo significado. Há as verdades que, como disse (ou se pensa que disse) Niels Bohr, são superficiais, cuja antítese é incontestavelmente falsa, mas há também as profundas, cuja antítese é tão verdadeira como elas próprias. E ficamos assim, no "ser ou não ser", ou, como alguém por brincadeira me disse, nesse passado distante ... "era e não era, andava na serra, o pai era morto e a mãe por nascer..."
Mistérios... sortilégios... vida!

segunda-feira, janeiro 06, 2014

o som da amizade

lá, por entre as nesgas da montanha, há um braço de mar, nele circula a amizade. Somos rios...
rios que transportam os sons... tantas vezes, o silêncio...
"lagoa escura" onde mergulhamos e vivemos!

quarta-feira, janeiro 01, 2014

passagem

Nesta passagem que é a vida, a tua presença - a vossa presença - é uma constante. Os dias são uma sucessão infinita onde os acontecimentos são focos de luz. Pirilampos brilhando no escuro da noite adormecida.

terça-feira, dezembro 31, 2013

the last rose of the summer

do jardim brotam flores. rosas. rosas do sul, rosas do norte, apenas o veludo e o perfume que libertam. rosas por colher, ainda em botão.

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Dream

Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.

Mas um terror antigo , que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.

E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia.

Sinto que não sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
Fernando Pessoa

sábado, dezembro 07, 2013

rosas

...o veludo das rosas esconde os espinhos que dilaceram a pele...


domingo, novembro 24, 2013

"Há palavras que nos beijam"(1)

E no correr da pena, o sopro do vento que nos traz o sonho; palavras.
O ondular das águas, "caravelas doiradas"(2), e na sinusóide descrita, a continuidade da vida; deuses.


(1)Alexandre O’Neill em Poesias Completas no"Reino da Dinamarca".
(2)Florbela Espanca, no livro Sóror Saudade