surdo, este silêncio que me rodeia.
sexta-feira, janeiro 09, 2015
terça-feira, dezembro 30, 2014
Ano Bom
2014 foi ano da mais profunda tristeza. Na "vã glória de mandar", o mundo digladia-se aniquililando, subjugando, humilhando o seu semelhante. E, coincidindo com toda esta desordem, há a irreparável perda do ventre que me deu a vida. O desejo é que 2015 seja um ano de passagem para um mundo mais justo, mais solidário e mais bonito.
sexta-feira, dezembro 12, 2014
sad cypress
No correr dos dias que passam, sobra a tristeza. Nos folhos da convivência, a amizade é palavra rota, há sempre um espinho que que nos fere deixando que o veludo da rosa se oculte. Hoje sou apenas isto: tristeza. Eu sei, eu sei! Há pessoas que não têm o direito à tristeza, há a força; somos fortes. Força que se esvai no aperto de um coração que sente; alma riscada na alvura dos sentimentos que teimam em permanecer. Nada, é nada o que valem muitas das palavras que atiramos ao vento, plumas leves de aves migrantes. Chapadas sentidas no rosto sorridente; aprende-se.
foto retirada da net
domingo, novembro 30, 2014
dias que passam... mais um
Somos tanto e tão pouco; soma dos dias que passam e dos dias que imaginamos. E hoje o frio insinua-se; caem pétalas de rosa já sem cor, apenas forma, que o odor é apanágio de quem o sente. E se na brancura da neve nascerem flores(?) vermelhas, como o sangue que nos torna muito mais que pedras. Ai "se eu tivesse dinheiro"...
sexta-feira, novembro 28, 2014
dias que passam...
No sobressalto dos dias a inquietação. E do amor, sobram as palavras; templos erguidos a pulso, sucaltos de patamares crescentes. Na quadratura das ondas, há pequenos momentos de tranquilidade logo perturbada pelo impulso que se segue. Somos da física e da química; somos sistemas em equilíbrio dinâmico, sempre na ânsia de minimizar a perturbação causada. Le Chetelier; em princípio.
E hoje, sou assim, areia que a onda beija.sexta-feira, novembro 21, 2014
sexta-feira, outubro 31, 2014
"Ao Longe os Barcos de Flores"
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
‑ Perdida voz que de entre as mais se exila,
‑ Festões de som dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.
E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora..
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
‑ Perdida voz que de entre as mais se exila,
‑ Festões de som dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.
E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora..
Camilo Pessanha, poema "Ao Longe os Barcos de Flores"
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