Pés descalços, piso a terra, como o pó
Mão vazias, grandes sonhos, sigo só
Pela frente? O calor da uma e meia
Para trás? Não muito...
Eternamente de abalada
Sigo na minha estrada
Perco de vista o horizonte
E não sei nada...
Mil vidas posso ter
Mil carreiros por escolher
Senhora rainha serei?
Mil fardos carregarei?
Quantos amores?
Quantos pesares?
Apenas sei, que sigo.
Joana_Pombo
© Reservado a direitos de autor
sigo
terça-feira, maio 15, 2007
domingo, abril 22, 2007
sexta-feira, abril 20, 2007
domingo, abril 15, 2007
Morte ao meio dia - "Tempo Duvidoso"
a voz
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
Ruy Belo
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
Ruy Belo
segunda-feira, abril 02, 2007
por vezes

Por vezes caio na tentação de falar de sentimentos, os tais que o António Damásio diz não serem mero adorno das emoções. Mas a verdade é que andam sempre de mão dada.
Tudo isto para dizer que hoje me sinto vazia e que é nesta disposição que parto, depois de amanhã, para mais uns escassos dias de férias. Quem sabe não voltarei com o coração cheio da limpidez das águas, com a alma plena de odores primaveris?
Para os amigos que me lêem deixo o meu mais bonito sorriso e um abraço!
quinta-feira, março 29, 2007
Insónia
Era Inverno, lá fora o vento empurrava a chuva e o frio cortava.
Sentada no sofá, ela olhava fixamente a TV na tentativa de perceber o que o JMV dizia, mas os seus ouvidos estavam atentos a outros sons.
- Estás bem?
- Sim, estou, não te preocupes, isto passa...
- Sim, estou, não te preocupes, isto passa...
O medo infiltrara-se de tal modo que ela nada mais ouvia que o pulsar da respiração dele entrecortada por pequenos sons que ela imaginava serem de dor.
- Queres ir agora?
- Não, esperamos pela manhã. Não dormes, não vais descansar?
- Não, não tenho sono, estou com uma insónia terrível...
Mentia, não era insónia, era medo. Lá dentro o bébé chorou, as lágrimas recolhidas aproveitaram a cumplicidade da escuridão do quarto para poderem estender-se um pouco e jorrar como fontes manchadas de sangue e dor.
- Senta-te aqui, ajudas-me? Estás tão bonita, tenho tanta pena de perderes assim os teus dias, só tens gente para tratar...
Levantou-se bruscamente e disse:
- Não digas asneiras! Só perde tempo quem o tem de sobra. Vá, deita-te, vou ajudar-te a descansar. Queres que te faça uma massagem na barriga?
- Sim...
Cansado, deixou-se embalar na doce magia do toque das suas mãos e, finalmente, adormeceu.
Júlia de Sá
terça-feira, março 27, 2007
Pequenos apontamentos
Por vezes a noite torna-se demasiado longa surgindo então uma necessidade absoluta de a preencher. Nesse contexto, resolvi retirar de um dos caixotes onde guardo livros que esperam o surgimento de novas prateleiras, O Significado da Relatividade de Albert Einstein, numa edição de 1958 já com as páginas amarelecidas pela passagem dos anos, numa tradução feita pelo Professor Mário Silva.
Todos nós temos um referencial de tempo e é comum dizermos «antes de» e «depois de», no entanto esse referencial é subjectivo pois apenas se aplica a cada um de nós não sendo este tempo mensurável, podendo, no entanto, ser associado a um corpo físico que é o relógio. Pode, assim, haver uma comparação entre experiências de pessoas diferentes associando a ordem dos acontecimentos fornecidos pelo relógio com a ordem da série de acontecimentos considerada anteriormente. Ficam então baralhadas as nossas ideias preconcebidas acerca do tempo.
Ainda citando Einstein, por meio de mudanças de posição poderemos levar dois corpos ao contacto um do outro sendo assim introduzido o conceito de espaço. No entanto, ao levar um determinado corpo X até junto do outro corpo Y constitui-se uma espécie de prolongamento deste, podendo nós designar o conjunto de todos os prolongamentos de Y, por «espaço do corpo Y».
A minha ideia não é falar de teorias relativistas ou pré-relativistas, até porque jamais ousaria tocar em assuntos que de modo algum domino, é, muito simplesmente, falar de mim e do meu espaço, ou mais propriamente, no que constitui o meu espaço e o meu tempo.
Todos nós temos um referencial de tempo e é comum dizermos «antes de» e «depois de», no entanto esse referencial é subjectivo pois apenas se aplica a cada um de nós não sendo este tempo mensurável, podendo, no entanto, ser associado a um corpo físico que é o relógio. Pode, assim, haver uma comparação entre experiências de pessoas diferentes associando a ordem dos acontecimentos fornecidos pelo relógio com a ordem da série de acontecimentos considerada anteriormente. Ficam então baralhadas as nossas ideias preconcebidas acerca do tempo.
Ainda citando Einstein, por meio de mudanças de posição poderemos levar dois corpos ao contacto um do outro sendo assim introduzido o conceito de espaço. No entanto, ao levar um determinado corpo X até junto do outro corpo Y constitui-se uma espécie de prolongamento deste, podendo nós designar o conjunto de todos os prolongamentos de Y, por «espaço do corpo Y».
A minha ideia não é falar de teorias relativistas ou pré-relativistas, até porque jamais ousaria tocar em assuntos que de modo algum domino, é, muito simplesmente, falar de mim e do meu espaço, ou mais propriamente, no que constitui o meu espaço e o meu tempo.
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Nota: a propósito do tempo reabilitei este post do meu blog «O espaço e o tempo».
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