quinta-feira, julho 05, 2007

apenas sons

Pensamentos que se soltam como fragmentos de pele já sem vida, fazem de nós robots que se movem ao som do silêncio que ecoa dentro da alma que por momentos fica suspensa de uma palavra. Palavras... umas vezes soam-nos como cânticos celestiais, outras como punhais.
Gosto do som dos lobos uivando, parecem-me sempre gritos de dor e solidão, como se se tivessem perdido da matilha. Tantas feridas... umas que cicatrizam, outras que (re)abrem quando o alarme se faz ouvir, é nesses momentos que fico assim, como pássaro perdido num céu que não conhece.
Abrem-se lacunas, ficam oclusas partículas de dor na minha alma já sofrida, em cada dia que passa os meus limites se restringem, como se o Universo deixasse de ser infinito, como se em cada estrela houvesse uma abafador.
Chamem por mim, façam-me viver, digam-me que eu não quero partir...

«Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
»

Álvaro de Campos

sábado, junho 30, 2007

meu irmão

(...)Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, junho 14, 2007

Adeus

Canção com lágrimas
......
Eu canto para ti o mês das giestas
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
Manuel Alegre

sexta-feira, junho 08, 2007

foto tirada pelo meu amigo Zé Carlos Era um tempo em que o tempo, ainda menino, brincava. Sobre as ondas, a luz branca desdobrava-se nas sete cores do arco-íris, reflectindo toda a grandiosidade de uma vida a despertar.
«Ai se eu tivesse dinheiro... comprava-te uma andorinha, um porquinho mealheiro e uma rosa de cheiro p'ra te cheirar à tardinha...»

terça-feira, maio 22, 2007

definição


AMIGO *

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

"Amigo" é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

"Amigo" (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!
"Amigo" é o erro corrigido
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada!

"Amigo" é a solidão derrotada!
"Amigo" é uma grande tarefa,
É um trabalho sem fim,
Um espaço sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

*Dedicado aos amigos que me ajudaram, mesmo sem terem conhecimento dos factos, a ultrapassar os momentos de angústia e ansiedade que vivi.

«Amigo é a solidão derrotada!

Amigo var ser, é já uma grande festa!»

quinta-feira, maio 17, 2007

cyber-bullying


A impunidade, por enquanto... a ler no sol

quarta-feira, maio 16, 2007

marcas

foto gentilmente cedida (vulgo, roubada) pelo meu amigo vern

Marcas deixadas na areia ainda molhada pela ternura das ondas que impetuosamente espalharam a força do seu querer. Rasto de passos deixados ao acaso chamando a si o silêncio do entardecer esperando a bruma da manhã que inevitavelmente surgirá. Ondas prateadas pela luz de mais um dia que nasce.