Lágrima aprisionada na bolsa da memória. Na curva factídica da estrada onde o rio se junta ao mar há o cruzamento da esperança e da vida, factor comum a duas realidades que apenas e só na aparência diferem. Em parceria, solta-se a lágrima retida na obrigatoriedade do aparente bem estar. E o tempo é folha que cai, na azáfama do dia a dia a ilha forma-se e é dor. Vidas desfeitas pelo capricho do destino, avanço de um dia que o tempo roubou. Cruza-se o som das sirenes com a lamento de uma juventude roubada. As palavras são apenas o embrulho de um conteúdo que se esconde.
quinta-feira, novembro 10, 2011
quarta-feira, novembro 09, 2011
chuva
No dilúvio das emoções o som das cordas da guitarra que se eleva. A noite aquieta-se na cadência da chuva que cai. E há a tristeza.
domingo, outubro 30, 2011
apetites
Apetece-me porque me apetece e porque algo me fez lembrar o que desde muito cedo decorei: a sátira...
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...
- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...
- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...
Nicolau Tolentino
sábado, outubro 29, 2011
medusa
Na transparência da água a invisibilidade da medusa perturba a quietude da pele adormecida. Há o canto da sereia e um coração que se afunda na solidão do mar profundo. O barco passa deixando atrás de si o rasto da esperança que morre. Ondulação breve como breve é o alvoroço da erupção vulcânica da alma ansiosa.
sábado, outubro 22, 2011
a rebeldia da memória
Ordem para esquecer, apagar, eliminar, suprimir e a paz volta na tranquilidade de um mar chão onde a inexistência da ondulação permite o estático equilíbrio da física. "Sem ordem sem meneio" o que era estático dinamiza-se obrigando ao pronto restabelecimento de um novo equilíbrio, mais pesado, mais susceptível a novas perturbações; químico. Acontecimentos estocásticos num universo onde a memória não morre. Lampejos inolvidáveis. "E em nada existo como a treva fria".
quarta-feira, outubro 05, 2011
De battre mon cœur s'est arrêté
Solta-se o riso e nele está contido o Universo onde estrelas cintilantes indicam o caminho rasgado no negrume da noite. Corrida contra o tempo, coração parado ao som de cada batida. Oásis num deserto arenoso onde os finos grãos se aglomeram teimando em formar a rocha granítica e pesada. Valquírias em delírio, cavalgada sem destino.
quarta-feira, setembro 21, 2011
luzes
Hoje há no Universo pequenos pontos luminosos, semicerrando os olhos consigo distinguir formas mais ou menos claras de sonhos outrora sonhados. No emaranhado das estrelas vislumbro o recorte da tua imagem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)