Una carta de amor
Todo lo que de vos quisiera
es tan poco en el fondo
porque en el fondo es todo,
como un perro que pasa, una colina,
esas cosas de nada, cotidianas,
espiga y cabellera y dos terrones,
el olor de tu cuerpo,
lo que decís de cualquier cosa,
conmigo o contra mía,
todo eso es tan poco,
yo lo quiero de vos porque te quiero.
Que mires más allá de mí,
que me ames con violenta prescindencia
del mañana, que el grito
de tu entrega se estrelle
en la cara de un jefe de oficina,
y que el placer que juntos inventamos
sea otro signo de la libertad.
Julio Cortázar
quarta-feira, dezembro 21, 2011
terça-feira, dezembro 20, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
lágrima
Lágrima aprisionada na bolsa da memória. Na curva factídica da estrada onde o rio se junta ao mar há o cruzamento da esperança e da vida, factor comum a duas realidades que apenas e só na aparência diferem. Em parceria, solta-se a lágrima retida na obrigatoriedade do aparente bem estar. E o tempo é folha que cai, na azáfama do dia a dia a ilha forma-se e é dor. Vidas desfeitas pelo capricho do destino, avanço de um dia que o tempo roubou. Cruza-se o som das sirenes com a lamento de uma juventude roubada. As palavras são apenas o embrulho de um conteúdo que se esconde.
quarta-feira, novembro 09, 2011
chuva
No dilúvio das emoções o som das cordas da guitarra que se eleva. A noite aquieta-se na cadência da chuva que cai. E há a tristeza.
domingo, outubro 30, 2011
apetites
Apetece-me porque me apetece e porque algo me fez lembrar o que desde muito cedo decorei: a sátira...
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...
- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...
- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...
Nicolau Tolentino
sábado, outubro 29, 2011
medusa
Na transparência da água a invisibilidade da medusa perturba a quietude da pele adormecida. Há o canto da sereia e um coração que se afunda na solidão do mar profundo. O barco passa deixando atrás de si o rasto da esperança que morre. Ondulação breve como breve é o alvoroço da erupção vulcânica da alma ansiosa.
sábado, outubro 22, 2011
a rebeldia da memória
Ordem para esquecer, apagar, eliminar, suprimir e a paz volta na tranquilidade de um mar chão onde a inexistência da ondulação permite o estático equilíbrio da física. "Sem ordem sem meneio" o que era estático dinamiza-se obrigando ao pronto restabelecimento de um novo equilíbrio, mais pesado, mais susceptível a novas perturbações; químico. Acontecimentos estocásticos num universo onde a memória não morre. Lampejos inolvidáveis. "E em nada existo como a treva fria".
quarta-feira, outubro 05, 2011
De battre mon cœur s'est arrêté
Solta-se o riso e nele está contido o Universo onde estrelas cintilantes indicam o caminho rasgado no negrume da noite. Corrida contra o tempo, coração parado ao som de cada batida. Oásis num deserto arenoso onde os finos grãos se aglomeram teimando em formar a rocha granítica e pesada. Valquírias em delírio, cavalgada sem destino.
quarta-feira, setembro 21, 2011
luzes
Hoje há no Universo pequenos pontos luminosos, semicerrando os olhos consigo distinguir formas mais ou menos claras de sonhos outrora sonhados. No emaranhado das estrelas vislumbro o recorte da tua imagem.
domingo, setembro 18, 2011
alma
Na ponte que liga a razão ao corpo floresce a essência, alma ansiosa que se alimenta de sensibilidade e beleza. No patamar inferior reina Demiurgo. Castelo de sentidos, construção do transcendente onde as ideias habitam. E se Platão vier, falem-lhe de Amor.
quarta-feira, setembro 14, 2011
impulso
Borboleta de papel. E o impulso é rio que galga as margens de um sopro atirado ao vento. Asas derretidas no calor da emoção e a estrela que a mão não alcança. No terreiro das bruxas ergue-se a chama que alimenta o fogo onde a poção mágica surge. Reacções. Trilhos de um comboio parado na estação do tempo. Mãos que se fecham no entrelaçar dos dedos inexistentes de um sonho que não ouso sonhar. Vêm os pássaros que respiram. Sufoco o impulso. Et.oma. Na carruagem da surpresa as palavras interditas.
domingo, setembro 11, 2011
quinta-feira, setembro 08, 2011
domingo, setembro 04, 2011
a transparência
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prémio pretendia.
Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.
Luís Vaz de Camões
noite
Há a noite e a incerteza da manhã, sons que habitam o vazio dos dias que morrem. Fantasmas de um passado feliz e a saudade. Sonho correndo por entre a chuva que cai, como o mar, num daqueles dias de marés calmas, como um rio que se espreguiça através do seu curso, das cascatas, saltando através das paredes escarpadas, sem temer a queda das alturas, dos lagos. Aurora boreal no resplandecer do dia.
sábado, setembro 03, 2011
quarta-feira, agosto 31, 2011
terça-feira, agosto 30, 2011
sábado, agosto 27, 2011
sopro
clave de sol
o fio que agarra a voz e nela deposita a esperança em espera transformada arrancando-lhe a indefinição do "acontecer". solta-se o som semeando sustenidos e bemóis compasso de tempo indeterminado. e sobre o Tejo caem as estrelas iluminando as águas que as ondas transportarão. na imensidão do mar o azul descerá sobre a tranquilidade de quem nele navega sentindo o suave embalo da ternura. clave de sol.
terça-feira, agosto 23, 2011
Vida
Como uma borboleta leve e bela, chegaste. Trouxeste nos teus olhos o azul do mar, no teu corpo pequeno o movimento das ondas e na acuidade do teu pensamento a força da continuidade.
quarta-feira, agosto 03, 2011
terça-feira, agosto 02, 2011
a inquietação da noite
sons que abafam os gritos de quem um dia sentiu nos braços o suspiro da partida. passos inquietos no silêncio da pesquisa. lábios que se abrem para nos devolver a derrota. e a vida. pudesse eu cortar a noite em fatias e dela extrairia todos os minutos em que a ansiedade arrebatou a percepção da inexistência. a lua foi testemunha do grito que arrasou a esperança. e as imagens passam como um filme mudo. mas há o renascer e com ele as flores que brotam. tão belas. e há os passos incertos. e tu. que habitas o sonho e dele me fazes prisioneira. ser-te-ei. ainda que o tempo corra na girândola da vida e as flores renasçam num coração sofrido.
quarta-feira, julho 27, 2011
Sorriso
terça-feira, julho 26, 2011
sábado, julho 23, 2011
terça-feira, julho 19, 2011
renascer
Santorini - verão de 2007


Mar revolto na cadências dos dias que passam e a serenidade da contemplação. E há um coração onde o sangue se renova sentindo o pulsar da vida. E as raízes retomam de novo a força do renascer. Pétalas brancas sobre a verdura de uma folha sem espinhos. Os olhos fecham-se e o círculo estreita os seus infinitos lados permitindo o percorrer da planície. O céu é o limite.
segunda-feira, julho 18, 2011
"o tempo é renda"
Num ápice o tempo desmorona-se transportando-nos ao passado, a um passado tão longínquo que se supunha enterrado. E nas ondas da palavra escrita surgem os sorrisos e as perguntas; as respostas advinham-se. Há vivências passíveis de serem recuperadas contrariamente a todo um conjunto de rupturas irreversíveis com vida. Não, não é um déjà vu é, isso sim, a vida que ficou por viver, o encanto que a sombra escondeu, a barca ancorada no porto da inocência. E o coração galopa pela verdura da planície e vêm as memórias, tão boas. Dançam ao som das guitarras que se enternecem e as sombras acomodam-se no porão do navio fantasma, e há sorrisos. E o ocaso é uma imensa tranquilidade nos tons pastel do outono, que a primavera viveu-se, o inverno foi duro e o verão absorvido na voragem do tempo. "todo o passado me passou velozmente pelo cérebro", como se o cérebro conseguisse atingir a velocidade suficiente para recordar o passado que o coração alberga. E é luz! E sobre a areia, na rebentação das ondas, fica a marca das palavras que ainda não foram ditas. E sobre o mar as cores do pôr-do-sol alisam as imperfeições do tempo, e o barco balança...
O "tempo é renda", como escreve a poetisa IMF.
sábado, julho 16, 2011
"cem anos de solidão"
Este é um dos livros que na força dos meus 18 anos me marcou. O conteúdo fantástico tão característico dos latino-americanos e a constatação de que há gerações condenadas a viver a solidão em que a alma se refugia até que a morte a desfaça. Ela passa de geração em geração como um testemunho, é uma condenação. No meio da multidão que nos agita há uma ilha em cuja costa se edificam barreiras para que a beleza e a força do mar a não invadam. Sente-se ao longe a suavidade da maré baixa e o bater forte das marés vivas. E por entre as frestas, a saudade. Uma saudade imensa que se banha na tranquilidade de um mar chão onde a lua teima em se deitar. E os dias caminham no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio anulando o tempo feito de espaços vazios. Talvez o sol possa deitar um raio menos escaldante, atalho para um lugar tranquilo nos sonhos confiados à lua...
mares...
sobre o azul escuro da água a luz realçava o ondular poético de todos os segredos que no longo caminho guardou. os barcos surgiam na paisagem idílica do sonho e o farol era apenas uma luz espúria na grandeza do reflexo lunar. as memórias entrelaçam-se e o grito é abafado pela ternura.
domingo, julho 10, 2011
"o tempo é renda"
sábado, julho 02, 2011
segunda-feira, junho 13, 2011
13 de Junho
Nem o tempo apaga as marcas deixadas pela tragédia, o teu desaparecimento físico não oculta todas as recordações de uma vida. Somam-se os anjos como números que nos tocam a memória.
quarta-feira, maio 04, 2011
poesia
passos certos na incerteza da procura. olhos abertos; ao fundo do túnel a luz! tacteando as palavras impressas libertando odores das flores arbóreas que foram, encontrei a poesia. não me tirem o prazer do sabor das letras nem a imperfeição de uma folha inacabada. sirvam-me a poesia em taças de fino cristal que a guardarei em belas folhas de papiro.
domingo, abril 03, 2011
festa
Perco-me no "labirinto da saudade" para logo me encontrar no amanhecer da vida. E saltam notas musicais intercaladas com sons de alegria. O leite creme está óptimo! As vozes da partilha cruzam-se com a solidariedade e a necessidade de atravessar o oceano para voluntária e gratuitamente desempenhar uma tarefa. O risoto levou alecrim? As crianças saltam cortando as ideias abafando a conjectura de um governo fantasma. O Zézinho toca tão bem piano! Dança-se a alegria dos que ficam e recorda-se a grandeza dos que partiram e a música enche-nos a alma. Uma fatia de bola?
terça-feira, março 29, 2011
sorriso
páginas viradas no livro do tempo onde as memórias são relevos que os dedos tacteiam e os olhos retêm. e a vontade de vencer as adversidades vislumbrando um sorriso que nos franqueia o caminho. sei-te. e isso basta-me.
terça-feira, março 22, 2011
os registos
"se começar a incomodar, diga sff."
incómodos que nos trazem alegria ainda que em fundo triste.
vieste e estamos. eles não estão, mas sentimo-los em cada gesto, em cada palavra, em cada suspiro. estás. és. serás. somos!
(esta é tua, é dele, é nossa!)
quinta-feira, março 17, 2011
blog
Este espaço fez cinco anos há dois dias, foi um caminho de avanços e recuos, tal como a minha vida, mas persiste. Um abraço daqui, na esperança de que chegue aí...
sexta-feira, março 04, 2011
o conceito: definitivo
Tive saudades das minhas palavras e o definitivo passou a provisório: este blog está provisoriamente aberto.
Canção linda...
domingo, janeiro 23, 2011
Palavras atiradas ao vento
As palavras são meros instrumentos que, como tal, se podem manipular de modo a que nos sirvam consoante as ocasiões. As atitudes são a face da grandeza de cada um de nós, são elas que nos definem, são elas que mostram a nudez da nossa alma. Nada do que possamos ou não fazer poderá apagar o rasto de uma atitude que tomamos, que nos desnuda. Se não tivesse já sofrido as grandes dores da morte e da doença, diria que hoje é o dia mais triste da minha vida.
Encerro hoje este meu blog, definitivamente. A todos os que me acompanharam ao longo destes anos, agradeço com a ternura de quem sente. Para o meu muito querido amigo Zef, a quem não conheço pessoalmente mas que ao longo do tempo soube pressentir os meus momentos de dor; o maior dos abraços.
Encerro hoje este meu blog, definitivamente. A todos os que me acompanharam ao longo destes anos, agradeço com a ternura de quem sente. Para o meu muito querido amigo Zef, a quem não conheço pessoalmente mas que ao longo do tempo soube pressentir os meus momentos de dor; o maior dos abraços.
sábado, janeiro 22, 2011
mudem de rumo... mudem de rumo...
Sinto que, tal como a formiga no carreiro, tenho de mudar de rumo...
sábado, janeiro 01, 2011
Dia de Ano Bom

Fotos tiradas da net
Foi um passeio bonito pelo Concelho da Batalha. A imponência do Mosteiro, onde as rendas no libertam o olhar, tem por detrás o verde da paisagem, subindo serra acima almocei no Pátio do Avô, o bacalhau com broa e as couves com azeite (é importante referir que NÃO são migas, como nos frisou a dona, porque esse termo "migas" é alentejano, aqui, na Serra de Aire, são couves com azeite e broa). O passeio terminou na Pia do Urso, aldeia serrana recuperada e com um passeio pedestre que nos permitiu fazer a digestão do almoço.
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