segunda-feira, dezembro 10, 2007
vento
quarta-feira, novembro 07, 2007
Caravelas
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.
Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!
Se eu sempre fui assim este Mar Morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!
Caravelas doiradas a bailar...
Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...
Florbela Espanca
(amanhã, quando eu tiver tempo, ponho música no ar)
terça-feira, novembro 06, 2007
"A Soma dos Dias"
segunda-feira, novembro 05, 2007
a 5ª linha da página 161
Sendo assim, aqui deixo a 5ª linha da página 161 do livro cuja leitura iniciei no fim de semana.
... para Afrodite fez-nos às duas ter sonhos eróticos. « Aos setenta e tal...
Deixo outro desafio... de que livro se trata?
domingo, novembro 04, 2007
domingo, outubro 28, 2007
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
- Ouvir o som dos rios que correm para o mar, advinhar-lhe os segredos e dormir tranquila sobre as águas azuis penetradas pelos reflexos de um sol na hora da partida.
- Ouvir os sons da felicidade ainda que apenas por alguns instantes.
- Saber que o meu pensamento se cruza e descruza algures no Universo como se de uma dança de fitas se tratasse.
- Saber que há uma continuidade inexplicável na existência dos sentimentos.
- Querer, saber que sou capaz de querer.
- Ter, ainda que por momentos.
- Sorrir como uma tola, sorrir por tudo e por nada.
- Dar, dar o que tenho e o que invento.
- Elevar-me no céu da felicidade.
- Ser Eu e apenas Eu.
terça-feira, outubro 23, 2007
sábado, outubro 13, 2007
domingo, outubro 07, 2007
o teu sorriso voa como uma borboleta
sexta-feira, setembro 28, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
domingo, setembro 23, 2007
o despertar...
domingo, setembro 02, 2007
copy/paste
domingo, agosto 26, 2007
domingo, agosto 19, 2007
a erosão dos dias
quinta-feira, agosto 16, 2007
quarta-feira, agosto 15, 2007
quarta-feira, agosto 08, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
domingo, julho 08, 2007

quinta-feira, julho 05, 2007
apenas sons
Gosto do som dos lobos uivando, parecem-me sempre gritos de dor e solidão, como se se tivessem perdido da matilha. Tantas feridas... umas que cicatrizam, outras que (re)abrem quando o alarme se faz ouvir, é nesses momentos que fico assim, como pássaro perdido num céu que não conhece.
Abrem-se lacunas, ficam oclusas partículas de dor na minha alma já sofrida, em cada dia que passa os meus limites se restringem, como se o Universo deixasse de ser infinito, como se em cada estrela houvesse uma abafador.
Chamem por mim, façam-me viver, digam-me que eu não quero partir...
«Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo. »
Álvaro de Campos
sábado, junho 30, 2007
meu irmão
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, junho 14, 2007
Adeus
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada
Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema
Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro
Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio
Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
sexta-feira, junho 08, 2007
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terça-feira, maio 22, 2007
definição
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
"Amigo" é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
"Amigo" (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!
"Amigo" é o erro corrigido
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada!
"Amigo" é a solidão derrotada!
"Amigo" é uma grande tarefa,
É um trabalho sem fim,
Um espaço sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca
*Dedicado aos amigos que me ajudaram, mesmo sem terem conhecimento dos factos, a ultrapassar os momentos de angústia e ansiedade que vivi.
«Amigo é a solidão derrotada!
Amigo var ser, é já uma grande festa!»
quinta-feira, maio 17, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Sigo
Mão vazias, grandes sonhos, sigo só
Pela frente? O calor da uma e meia
Para trás? Não muito...
Eternamente de abalada
Sigo na minha estrada
Perco de vista o horizonte
E não sei nada...
Mil vidas posso ter
Mil carreiros por escolher
Senhora rainha serei?
Mil fardos carregarei?
Quantos amores?
Quantos pesares?
Apenas sei, que sigo.
Joana_Pombo
© Reservado a direitos de autor
sigo
domingo, abril 22, 2007
sexta-feira, abril 20, 2007
domingo, abril 15, 2007
Morte ao meio dia - "Tempo Duvidoso"
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
Ruy Belo
segunda-feira, abril 02, 2007
por vezes

quinta-feira, março 29, 2007
Insónia
- Sim, estou, não te preocupes, isto passa...
terça-feira, março 27, 2007
Pequenos apontamentos
Todos nós temos um referencial de tempo e é comum dizermos «antes de» e «depois de», no entanto esse referencial é subjectivo pois apenas se aplica a cada um de nós não sendo este tempo mensurável, podendo, no entanto, ser associado a um corpo físico que é o relógio. Pode, assim, haver uma comparação entre experiências de pessoas diferentes associando a ordem dos acontecimentos fornecidos pelo relógio com a ordem da série de acontecimentos considerada anteriormente. Ficam então baralhadas as nossas ideias preconcebidas acerca do tempo.
Ainda citando Einstein, por meio de mudanças de posição poderemos levar dois corpos ao contacto um do outro sendo assim introduzido o conceito de espaço. No entanto, ao levar um determinado corpo X até junto do outro corpo Y constitui-se uma espécie de prolongamento deste, podendo nós designar o conjunto de todos os prolongamentos de Y, por «espaço do corpo Y».
A minha ideia não é falar de teorias relativistas ou pré-relativistas, até porque jamais ousaria tocar em assuntos que de modo algum domino, é, muito simplesmente, falar de mim e do meu espaço, ou mais propriamente, no que constitui o meu espaço e o meu tempo.
segunda-feira, março 26, 2007
o tempo
sábado, março 24, 2007
quinta-feira, março 22, 2007
quarta-feira, março 21, 2007
Metron Logos
kelvin (K) - temperatura termodinâmica
segundo (s) - tempo
candela (cd) - intensidade luminosa
mole (mol) - quantidade de matéria
Definição de metro: o metro é o comprimento do trajecto percorrido pela luz no vazio, durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 do segundo.
Nota: Isto é apenas um desabafo, já que tenho de estar a trabalhar até às 23 h, partilho o trabalho e o sorriso.
segunda-feira, março 19, 2007
Azul
tus celajes resuenos,
e esa niebla sutil de polvo de oro
donde van los perfumes y los suenos."
Ruben Dario in Azul
terça-feira, março 13, 2007
domingo, março 11, 2007
Abraços e laços
sábado, março 10, 2007
sexta-feira, março 09, 2007
ondas

.....
Mas, afinal o que é isso de ondas polarográficas, pois... são umas ondas um pouco diferentes
quarta-feira, março 07, 2007
domingo, março 04, 2007
âncoras

O fascínio da Lua

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobrehumano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.
António Gedeão
sábado, março 03, 2007
nem o tempo vai chegar...
É uma espécie de dor...
....
sexta-feira, março 02, 2007
terça-feira, fevereiro 27, 2007
o vácuo, o vazio e o nada
Nada é a negação de tudo o que existe, é um não lugar, um não espaço. O nada está indubitavelmente associado à nossa mente, não tem lugar na Física ou na Química. O nada é algo que me persegue e do qual tento fugir, por vezes sou apanhada nas suas malhas, sentindo-me qual partícula oclusa numa rede cristalina defeituosa.
E assim permaneço neste dualismo, a consciência de uma mente distinta do corpo: penso, logo existo (Descartes). Mesmo que ao pensar eu me engane, eu, sujeito epistémico, existo!
O ideal seria conseguir dissociar fisicamente a alma (mente) do corpo, viveriam assim felizes, cada um para seu lado, sem críticas, sem questões e, principalmente, sem colisões.
domingo, fevereiro 25, 2007
reviver o passado


era uma vez (repito)
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
saudades
As mãos húmidas da noite, escura, fria e tenebrosa, tentavam desesperadamente atravessar as vidraças que me separavam dela. Ao longe, o rugir das ondas batendo fortemente nas rochas levava-me para um outro mundo, o mundo dos sonhos.
Deixei-me inebriar, deixei que os fantasmas da noite tomassem conta de mim, e para eles, pus música, exaltante, extasiante. Pensei em ti, em tudo o que vivemos, saboreei cada momento e em cada um deles redescobri a minha capacidade de amar, perdida no tempo, adormecida nos anos, que passaram velozes por mim.
Lembro-me que pensei: “vivi estes momentos, ou tudo não passou de um sonho? Sonho lindo com sabor amargo”.
Quando acordei, o sol brilhava, acariciando muito ternamente aquelas águas tão azuis, tão aparentemente inocentes, as águas que na noite anterior tinham embalado o meu sonho, o meu sono. Saí para a rua e fiquei-me a contemplá-las, a pensar em como a quietude anda de mãos dadas com a turbulência, mostrando, ora uma face, ora outra.
Depositei naquelas águas tão tranquilas, tão azuis, tão imensamente grandiosas, a minha esperança. Soube, naquele momento, que nunca mais seria a mesma, que mais um marco tinha sido colocado no caminho da minha parca existência. A vida é feita de pequenos incrementos, cujo somatório nos conduz aquele ponto crucial, que é a morte.
Dizem que na morte surgem, por momentos, todos esses incrementos, separados por marcos, mas ninguém sabe muito bem o que é a morte, para mim, é apenas um somatório, um resultado final, um limite.” (…)
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
falando de sentimentos

Há pessoas que não têm sentimentos... mentira! Todos nós os temos, só que há dois tipos de sentimentos: os perenes e os caducos.
Azar dos que alimentam a perenidade dos sentimentos, vêem-se assim envolvidos em lutas internas para manterem o seu equilíbrio enquanto seres humanos.
Sorte dos que desenvolvem a sua caducidade, saltitando de nuvem em nuvem alimentando-se das gotículas que as constituem.
Ah! Como eu gostaria de ser uma folha.... caída!
era um redondo vocábulo
sábado, fevereiro 10, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
ela
terça-feira, fevereiro 06, 2007
encontros

......
Fermoso Tejo meu, quão diferente
Te vejo e vi, me vês agora e viste:
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
Claro te vi eu já, tu a mim contente.
A ti foi-te trocando a grossa enchente
A quem teu largo campo não resiste;
A mim trocou-me a vista em que consiste
O meu viver contente ou descontente!
Já que somos no mal participantes,
Sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera
Que fôramos em tudo semelhantes!
Mas lá virá a fresca Primavera:
Tu tornarás a ser quem eras dantes,
Eu não sei se serei quem dantes era.
domingo, fevereiro 04, 2007
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
S. Pedro de Moel - o mar

terça-feira, janeiro 30, 2007
segunda-feira, janeiro 29, 2007
domingo, janeiro 28, 2007
por entre os bits e os bytes...

deixo minhas impressões digitais
nos bits, nos bytes
no abrir infinito dos sites
onde moram os amores, amigos
e paixões virtuais
Um coração batendo repetido
e dez dedos batendo entretidos.
O que posso eu querer mais?
Adriana Mendonça
domingo, janeiro 21, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
Ponto de orvalho...

um inusitado sorriso,
um volver de olhos doentes,
um caminhar indeciso
e cego por entre as gentes,
chamam a si, aglutinam,
essa dor que anda suspensa
( e é dor de toda a maneira)
como o vapor se condensa
sobre núcleos de poeira.
É essa angústia latente
boiando no ar parado
como um trovão iminente,
que em muda voz se pressente
num simples olhar trocado.
Essa angústia universal,
esse humano desespero,
revela-se num sinal,
numa ferida natural
que rói com lento exagero.
Não deita sangue nem pus,
não se mede nem se pesa,
não diz, não chora, não reza,
não se explica nem traduz.
A gente chega, respira,
olha, sorri, cumprimenta,
fala do frio que apoquenta
ou do suor que transpira,
e pronto, sem saber como,
inútil, seco, vazio,
cai na penumbra do rio,
emerge, bóia, soçobra,
fácil e desinteressado
como um papel que se dobra
por onde já foi dobrado.
António Gedeão
Só um homem das Ciências Físico-Químicas poderia ter escrito um poema destes fazendo a intercepção da emoção com a razão.
Ponto de orvalho: temperatura à qual o vapor de água presente no ar ambiente passa ao estado líquido na forma de pequenas gotas.
domingo, janeiro 14, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
lá, onde a corrente electrónica flui
